Desigualdades regionais em Portugal acentuadas pela centralização

Um novo estudo revela que a concentração de poder político e económico na Área Metropolitana de Lisboa (AML) está a acentuar as desigualdades regionais em Portugal. Enquanto a AML apresenta níveis de riqueza superiores à média europeia, a Área Metropolitana do Porto (AMP) tem vindo a perder nível de vida, o que afeta negativamente o desempenho económico de toda a região norte. As regiões do interior do país enfrentam ainda maiores desafios, com indicadores de nível de vida entre os mais baixos da União Europeia.

Este estudo foi conduzido por Óscar Afonso, diretor da Faculdade de Economia da Universidade do Porto, e Nuno Torres, investigador do Gabinete de Estudos Económicos, Empresariais e de Políticas Públicas. Os dados analisados abrangem o período de 2000 a 2023 e revelam que a centralização de poder na AML tem impactos persistentes, dificultando a criação de um modelo de crescimento mais equilibrado e inclusivo.

Os autores do estudo destacam que a AMP, sendo o principal centro económico do Norte, está a perder competitividade. Esta situação fragiliza não só o desenvolvimento local, mas também o desempenho económico da região norte como um todo. Apesar disso, a AMP possui potencial para se afirmar como um motor económico do país, desde que consiga atrair e reter população, talento e investimento.

O estudo critica o modelo de centralismo territorial em Portugal, que compromete a coesão nacional e limita o crescimento económico no contexto da União Europeia. A AML, embora desempenhe um papel central na economia, enfrenta desafios como congestionamento, pressão sobre infraestruturas e escassez de habitação, que limitam o seu crescimento adicional.

Por outro lado, as regiões do Norte, Centro e Alentejo apresentam características que indicam oportunidades económicas ainda não exploradas. Contudo, a concentração de investimento e decisões políticas em áreas densamente povoadas impede que este potencial se traduza em crescimento nacional.

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Os autores alertam que a excessiva especialização da economia portuguesa em setores como o turismo e o imobiliário contribui para um baixo valor acrescentado e uma mão-de-obra pouco qualificada. Esta situação desvia investimento de áreas com maior potencial de inovação e criação de valor, como a indústria e as tecnologias.

Em termos de investimento, a AML registou um crescimento significativo na Formação Bruta de Capital Fixo, mas a região Norte depende fortemente de fundos de coesão europeus. A falta de governação intermédia em Portugal penaliza especialmente os territórios do interior, que continuam a sofrer com a perda de população e oportunidades económicas.

Os dados utilizados neste estudo foram obtidos através de fontes oficiais, como o Eurostat e o Instituto Nacional de Estatística, e incluem indicadores de PIB per capita, produtividade e distribuição populacional. A análise conclui que Portugal não só falhou em convergir com a média da União Europeia, como também enfrenta desigualdades regionais que precisam de ser abordadas urgentemente.

Leia também: O impacto da centralização na economia portuguesa.

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Fonte: ECO

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