O mundo atual apresenta-se como um espaço de relações internacionais complexas e dinâmicas, onde a rapidez das interações e a instantaneidade da comunicação desafiam as antigas certezas. A ordem global, que parecia estável após a Guerra Fria, está agora a ser questionada, com as potências a agitar as suas políticas e a provocar um clima de incerteza sem precedentes.
A política externa dos Estados Unidos, sob a liderança de Donald Trump, tem sido um reflexo desta nova realidade. A abordagem norte-americana, que parece regressar a práticas do passado, levanta questões sobre a eficácia e a moralidade das suas intervenções internacionais. A invasão da Ucrânia, por exemplo, foi um alerta para muitos, mostrando que a estabilidade europeia não é garantida e que os conflitos podem surgir rapidamente.
A guerra na Ucrânia não é um evento isolado, mas sim parte de um padrão mais amplo de tensões geopolíticas. A história recente da Europa, marcada por guerras e mudanças de regime, revela que a paz é uma conquista frágil. A agitação provocada pela guerra na Ucrânia espelha a instabilidade que muitos já haviam esquecido, mas que sempre esteve presente.
Além disso, a política externa dos EUA, que inclui intervenções na Venezuela e interesses na Gronelândia, sugere um regresso a uma lógica de poder que ignora as alianças tradicionais. Este comportamento é visto por muitos como uma tentativa de reafirmar a influência norte-americana em um mundo em mudança.
É importante considerar que a história das relações internacionais está repleta de complexidades. O livro “A Rota do Ouro”, de William Dalrymple, oferece uma nova perspetiva sobre como a Índia e outras civilizações asiáticas moldaram o mundo, desafiando a visão eurocêntrica que ainda predomina. A Conferência de Bandung, em 1955, é um exemplo claro de como essas nações mantêm uma memória coletiva que contrasta com a narrativa ocidental.
Para compreender o presente, é essencial olhar para o passado. O livro “Poucos mas Bons: Portugal e a sua Marinha no Combate ao Tráfico de Escravos (1837-1904)” de Jorge Moreira Silva, revela a complexidade do tráfico de escravos e o papel da Marinha portuguesa, ajudando a relativizar a influência britânica na história. Estas obras são fundamentais para ampliar a nossa compreensão das relações internacionais e para não sermos apanhados de surpresa pelos eventos contemporâneos.
Neste novo e complexo mundo, a capacidade de adaptação e a compreensão das dinâmicas históricas são cruciais. A política externa dos EUA, com a sua ênfase no interesse nacional, desafia as normas estabelecidas e exige uma reavaliação das alianças globais. A descentralização das relações internacionais torna-se, assim, uma necessidade para entender a nova ordem mundial.
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relações internacionais Nota: análise relacionada com relações internacionais.
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Fonte: Sapo





