Um recente relatório do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (UNEP) revela que, para cada dólar investido na proteção da natureza, são gastos 30 dólares em atividades que a destroem. Este desequilíbrio alarmante é maioritariamente atribuído ao setor privado, que continua a financiar, de forma esmagadora, a destruição ambiental. Em contrapartida, o setor público é responsável pela maior parte dos investimentos em iniciativas benéficas para o meio ambiente.
De acordo com os dados de 2023, cerca de 220 mil milhões de dólares estão a ser aplicados globalmente na proteção da natureza, enquanto os investimentos que a prejudicam atingem a cifra impressionante de 7,4 biliões de dólares. A UNEP destaca que a maior parte deste montante negativo provém do setor privado, que investiu 5 biliões de dólares em setores com elevado impacto ambiental, como a energia e a indústria.
Os subsídios prejudiciais, que totalizam 2,4 biliões de dólares, também desempenham um papel significativo, apoiando atividades como a agricultura intensiva e a exploração de combustíveis fósseis. Em contraste, 90% dos investimentos destinados à proteção da natureza são provenientes de fundos públicos. O financiamento público internacional para Soluções Baseadas na Natureza (SbN) aumentou 22% em relação a 2022 e 55% desde 2015, refletindo um esforço crescente para proteger e restaurar ecossistemas.
Embora a despesa em proteção da biodiversidade tenha aumentado 11%, a UNEP alerta que o apoio à agricultura, silvicultura e pescas sustentáveis tem diminuído. O setor privado contribuiu com cerca de 23 mil milhões de dólares para a proteção da natureza, mas a entidade acredita que há um potencial significativo para aumentar este valor, especialmente se os governos implementarem incentivos económicos adequados.
Para cumprir os compromissos globais, como o Acordo de Paris, a UNEP estima que o investimento em soluções baseadas na natureza deve aumentar 2,5 vezes, atingindo cerca de 572 mil milhões de dólares. A entidade defende que é essencial redirecionar os fluxos de capital, tanto públicos como privados, para promover a sustentabilidade.
Os autores do relatório sublinham que, ao eliminar gradualmente os investimentos prejudiciais e aumentar os positivos, é possível impulsionar uma economia mais ecológica. O setor privado tem um papel crucial neste processo, podendo desbloquear valor a longo prazo e promover a resiliência através do reporte de sustentabilidade.
As oportunidades de investimento em áreas que beneficiam a natureza são vastas e abrangem diversos setores, incluindo a agricultura regenerativa, a silvicultura sustentável e a restauração de ecossistemas. A UNEP também sugere que os governos alinhem os seus orçamentos com as metas de biodiversidade e clima, redirecionando subsídios prejudiciais para iniciativas mais benéficas.
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Fonte: ECO





