As recentes eleições presidenciais de 2026 em Portugal trouxeram à tona a discussão sobre a importância das sondagens. António José Seguro e André Ventura destacaram-se como os vencedores na primeira volta, mas nem todas as sondagens previam este resultado. A questão que se coloca é: as sondagens ainda são relevantes neste contexto?
António Salvador, managing director da Intercampus, sublinha que as sondagens são ferramentas valiosas para informar os cidadãos. “Prefiro ter informação do que não ter”, afirma, destacando que a percepção da opinião pública é essencial. Contudo, alerta que as sondagens não se limitam ao contexto eleitoral, representando apenas 20% da faturação de algumas empresas do setor. “Falar mal de umas é falar mal da atividade em si”, diz Salvador, referindo-se à importância das sondagens em diversas áreas, desde a política até o marketing.
Almeida Ribeiro, diretor-geral da Aximage, complementa que as sondagens são fundamentais para as campanhas eleitorais, proporcionando aos eleitores uma visão objetiva da opinião pública. “Permitem ao cidadão sair do domínio da opinião subjetiva”, explica. No entanto, ele também observa que a influência das sondagens nos resultados eleitorais é complexa, sendo afetada por fatores como escolaridade e simpatia partidária.
A descredibilização das sondagens é um fenómeno recorrente, especialmente entre aqueles que não se sentem representados pelos resultados. “Quem fica bem no filme diz que elas são interessantes. Quem não fica, diz que não”, explica Salvador. Este fenómeno pode levar a uma abstenção, uma vez que alguns eleitores podem sentir que a vitória de um candidato é certa.
Durante a campanha, as sondagens mostraram uma divergência nos resultados, com algumas indicando a passagem de António José Seguro à segunda volta e outras não. Salvador aponta que a metodologia utilizada nas sondagens, como o tipo de entrevistas e o desenho do questionário, pode influenciar os dados obtidos. A incerteza dos eleitores também foi um fator importante, com um aumento significativo de indecisos nas semanas que antecederam a eleição.
Entre 20 de janeiro de 2025 e 13 de janeiro de 2026, foram realizadas 32 sondagens, refletindo um interesse crescente dos meios de comunicação social. Almeida Ribeiro acredita que os eleitores são capazes de filtrar a informação relevante, desafiando a ideia de que a quantidade de sondagens pode confundir o público.
As tracking polls, que oferecem uma visão contínua da opinião pública, também têm a sua validade. Salvador explica que, enquanto uma sondagem é uma “fotografia do momento”, uma tracking poll é como um “filme” que mostra a evolução das opiniões ao longo do tempo. No entanto, ele alerta que a amostra deve ser suficientemente robusta para garantir a fiabilidade dos resultados.
Ambos os especialistas concordam que a reputação das sondagens permanece intacta. “A profusão das sondagens provavelmente resulta do maior interesse mediático”, conclui Salvador. Ribeiro reforça que as sondagens são baseadas em princípios estatísticos e que descredibilizá-las equivale a questionar a validade da matemática.
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Fonte: ECO





