No quarto episódio do Podcast .IA, Jorge Portugal, diretor-geral da COTEC, discute a necessidade de reformular as regras de incentivos à inovação em Portugal. Segundo ele, as normas atuais, que se baseiam em modelos do passado, não são adequadas para promover a verdadeira transformação que a inteligência artificial (IA) pode oferecer. Em vez de simplesmente escalar o que já existe, é crucial que as empresas adotem novos modelos de negócio.
A COTEC, criada em 2003, tem como missão aumentar a competitividade das empresas nacionais através da promoção da inovação. Na entrevista, Jorge Portugal aborda a evolução da adoção da IA nas empresas associadas e os desafios enfrentados pelo ministro da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, na implementação desta tecnologia.
Embora a IA tenha ganho notoriedade nos últimos anos, a taxa de adoção nas empresas portuguesas permanece baixa, com apenas cerca de 10% a utilizá-la. O diretor-geral da COTEC sublinha que a adoção não é sinónimo de transformação. Muitas empresas continuam a tomar decisões da mesma forma que faziam há uma década, o que impede um verdadeiro progresso na produtividade.
Um dos principais obstáculos identificados é a cultura organizacional em Portugal, que tende a ser avessa à mudança. A resistência à inovação está enraizada na ideia de que, se algo funciona, não vale a pena alterar. Jorge Portugal destaca que, à medida que as empresas crescem, a burocracia aumenta, dificultando a agilidade nas decisões. Em comparação com países vizinhos, como a Espanha, as decisões em Portugal tendem a demorar mais, o que limita a capacidade de resposta às mudanças do mercado.
Para promover uma mudança de mentalidade, é essencial que a gestão das empresas adote uma abordagem mais arrojada. O conceito de “AI Ready” da COTEC refere-se a empresas que estão preparadas para antecipar mudanças e adaptar os seus processos. No entanto, a realidade é que muitas decisões ainda são conservadoras, focando em melhorias incrementais em vez de transformações radicais.
Jorge Portugal acredita que Portugal pode, sim, tornar-se um líder na adoção de IA, desde que se concentre na transformação organizacional. As pequenas e médias empresas, que caracterizam a economia nacional, têm uma estrutura menos burocrática e, portanto, podem adaptar-se mais rapidamente às novas tecnologias.
A Agenda de IA apresentada pelo Governo, com 32 medidas, é um passo importante, mas Jorge Portugal alerta que as regras de financiamento devem ser ajustadas. Os incentivos atuais ainda privilegiam a inovação incremental, em vez de promover uma verdadeira transformação organizacional. Para que a IA tenha um impacto significativo, é necessário que as empresas não apenas adquiram tecnologia, mas que também reestruturem os seus processos.
A COTEC estima que a burocracia excessiva pode consumir até 300 horas de trabalho por ano nas empresas. A inteligência artificial, se aplicada corretamente, não só pode aumentar a eficiência, mas também permitir um crescimento significativo da atividade económica. Jorge Portugal acredita que o impacto da Agenda de IA pode ser ainda maior do que os 22 mil milhões de euros estimados para o PIB, desde que as empresas sejam incentivadas a transformar os seus processos.
Para 2026, é fundamental que os esforços das empresas se concentrem na adoção da IA de forma abrangente, garantindo que a tecnologia não seja apenas uma ferramenta, mas um motor de transformação.
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Fonte: ECO





