O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, encontra-se numa posição delicada ao tentar aprovar o Orçamento do Estado para 2026. Apesar de ter prometido não recorrer ao artigo 49.3 da Constituição para impor a sua aprovação, Lecornu admite que não tem alternativas viáveis. A situação torna-se ainda mais complicada com a União Nacional e o França Insubmissa, os partidos extremos à direita e à esquerda, a anunciarem moções de censura. A única forma de evitar que estas se concretizem é se os socialistas optarem pela abstenção, uma decisão que, segundo analistas, não é garantida.
O Orçamento do Estado propõe um aumento significativo de impostos para as maiores empresas do país, a introdução de almoços a um euro para estudantes universitários e um incremento nos gastos com habitação social. Lecornu acredita que estas medidas podem ser um “travão” suficiente para garantir o apoio dos socialistas e evitar a aprovação das moções de censura. Boris Vallaud, um dos líderes socialistas, comentou que as iniciativas de Lecornu são um passo positivo, o que poderá permitir que o Orçamento não seja alvo de censura.
Contudo, o cenário político é complicado, especialmente com as presidenciais de 2027 a influenciar as decisões dos partidos. Críticos afirmam que os socialistas têm pouco a ganhar ao se apresentarem como o apoio de um governo próximo de Emmanuel Macron, especialmente quando a autonomia de Lecornu é limitada, tal como a dos seus antecessores. A tentativa de renascimento dos socialistas, após uma derrota significativa nas últimas eleições, pode ser arriscada, especialmente se se associarem a um governo com pouca margem de manobra.
Lecornu tinha prometido entregar um orçamento ao país até ao final de 2025, mas não cumpriu o calendário. O primeiro-ministro responsabiliza a União Nacional e a França Insubmissa pelas dificuldades nas negociações, que, segundo ele, pioraram significativamente após o Natal. O Orçamento do Estado prevê uma redução do défice de 5,4% para 5% do PIB já este ano, mas a situação económica é preocupante.
As yields das obrigações do Tesouro francês a 10 anos rondam os 3,5% a 3,6%, refletindo uma fase de volatilidade devido a desenvolvimentos orçamentais e tensões geopolíticas. O custo do serviço da dívida poderá aumentar para 59,3 mil milhões de euros em 2026, enquanto a dívida pública deve ultrapassar os 113% do PIB.
As previsões para a atividade económica não são animadoras, com uma desaceleração esperada para 0,7% no final de 2025 e um crescimento de apenas 0,9% em 2026. A inflação deverá aumentar gradualmente, enquanto a taxa de desemprego, que se situou nos 7,5% até ao segundo trimestre de 2025, poderá subir para 8,2% em 2027. Este aumento do desemprego poderá ter repercussões significativas, especialmente no ano em que os franceses irão às urnas para escolher o próximo presidente.
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Orçamento do Estado Orçamento do Estado Nota: análise relacionada com Orçamento do Estado.
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Fonte: Sapo





