O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, manifestou hoje a sua preocupação com o que considera ser uma “manobra” nas sondagens relacionadas com as eleições presidenciais. Durante um comício em Lisboa, Raimundo sublinhou que o escrutínio será marcado por um “condicionalismo” sem precedentes e reiterou a importância do voto em António José Seguro para garantir a “derrota” de André Ventura.
Raimundo descreveu as eleições presidenciais como “históricas”, não apenas pela quantidade de candidatos, mas também pela possibilidade de uma segunda volta, algo que não acontecia há 40 anos. O secretário-geral do PCP criticou a manipulação das sondagens, afirmando que esta levou à criação de uma falsa ideia de empate entre três candidatos. “Foi uma verdadeira operação aspirador que ficará para a história”, afirmou, referindo-se ao impacto negativo que as sondagens tiveram nas escolhas dos eleitores.
O líder comunista destacou que muitos eleitores foram levados a optar pelo voto útil em António José Seguro, mesmo que este tivesse obtido menos votos do que o esperado. “António José Seguro, mesmo que tivesse tido menos 800 mil votos, continuaria a passar à segunda volta”, disse Raimundo, enfatizando que esses votos foram cruciais para a candidatura de António Filipe, que terminou em sétimo lugar.
Raimundo defendeu que a candidatura de António Filipe foi “indispensável” por ter trazido à tona questões relevantes como as alterações à lei laboral e as dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores. Apesar de reconhecer a importância da segunda volta, o secretário-geral do PCP alertou para a necessidade de impedir a eleição de André Ventura, enfatizando que a única forma de o fazer é votar em António José Seguro.
“Votar contra André Ventura não significa apoiar António José Seguro”, frisou Raimundo, que também alertou para os perigos de entregar a Presidência da República a alguém como Ventura, a quem classificou como “a candidatura da mentira e da intolerância”. O líder do PCP pediu aos eleitores que não se deixem influenciar pelas sondagens e que se mobilizem para a segunda volta, que considera crucial.
Raimundo aproveitou ainda a ocasião para criticar o primeiro-ministro por não ter indicado um sentido de voto para a segunda volta e lembrou a greve geral de 11 de dezembro, que demonstrou a força dos trabalhadores. O PCP está a planear uma ampla ação de contacto com os trabalhadores, com o lema “Outro Rumo para o País”, que inclui uma manifestação em Lisboa e no Porto a 28 de fevereiro.
Leia também: O impacto das sondagens nas eleições presidenciais.
Leia também: China investiga general por minar autoridade de Xi Jinping
Fonte: Sapo





