Cristina Siza Vieira, vice-presidente executiva da Associação de Hotelaria de Portugal (AHP), defendeu recentemente a necessidade de reintroduzir a manifestação de interesse à hotelaria como uma solução para a grave falta de mão de obra que afeta o setor. Durante uma entrevista no programa Conversa Capital, transmitido pela Antena 1 e Jornal de Negócios, Siza Vieira destacou que a atual via verde implementada pelo Governo não tem conseguido atrair trabalhadores, uma vez que até agora não trouxe “nenhum” profissional para a hotelaria.
As estimativas indicam que o setor precisa urgentemente de entre 50 mil e 70 mil novos trabalhadores. No entanto, a AHP revelou que nenhum dos seus associados recorreu à via verde, considerando-a “demasiado burocrática”. Para Siza Vieira, a manifestação de interesse, com condicionantes e um prazo limitado, seria uma abordagem mais eficaz para resolver a questão da mão de obra na hotelaria.
Além disso, a vice-presidente executiva da AHP mencionou que a contratação coletiva tem sido benéfica para o setor, prevendo aumentos salariais de cerca de 5% para 2026. Contudo, Siza Vieira também sublinhou a necessidade de incluir na legislação laboral instrumentos que promovam a flexibilização do trabalho, atualmente em negociação com os sindicatos. Ela acredita que a proposta em discussão é favorável aos empresários.
Em relação ao licenciamento de novos hotéis em Lisboa, Siza Vieira respondeu às críticas de que a cidade tem um excesso de oferta. Para ela, é urgente a criação de um novo Plano Diretor Municipal (PDM) que defina claramente o futuro da capital. A vice-presidente da AHP admitiu que, neste momento, a oferta de hotéis em Lisboa é suficiente para atender à procura, especialmente considerando a capacidade do aeroporto.
Siza Vieira observou que Lisboa está a entrar numa fase de “planalto”, onde o crescimento do turismo deverá abrandar nos próximos anos. Ela previu que 2026 será um ano de consolidação, sem grandes aumentos na procura. Apesar das limitações no acesso ao aeroporto de Lisboa, que não favoreceram a procura, a AHP conseguiu mitigar problemas de reputação, especialmente no mercado americano.
Quanto à TAP, Siza Vieira considerou que seria um erro perder o hub da companhia aérea, rejeitando a possibilidade de compra pela IAG. Embora a AHP não espere crescimento em 2026, a vice-presidente afirmou que os preços na hotelaria não deverão baixar, a menos que ocorra uma grande instabilidade geopolítica. Ela também notou que, ao contrário de outras áreas do turismo, a hotelaria tem enfrentado deflação.
Apesar do abrandamento do setor e das dificuldades financeiras que algumas unidades ainda enfrentam devido a empréstimos contraídos durante a pandemia, Siza Vieira não vê necessidade de novas medidas de apoio financeiro, como as recentemente anunciadas pelo Governo para a restauração.
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Fonte: Sapo





