O recente acordo comercial entre a União Europeia e a Índia é visto como uma oportunidade significativa para as empresas portuguesas, que agora podem explorar um mercado com 1,5 mil milhões de consumidores. Este pacto, considerado um dos mais importantes do mundo, surge num momento em que o comércio internacional enfrenta diversas barreiras. Os representantes empresariais em Portugal expressam entusiasmo, destacando o potencial de diversificação que o acordo UE-Índia oferece.
Luís Miguel Ribeiro, presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP), sublinha que este acordo permitirá não apenas a entrada de novas empresas portuguesas no mercado indiano, mas também o fortalecimento da posição das que já operam nesse país. De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), a Índia foi, em 2024, o 40.º destino das exportações portuguesas, com uma quota de apenas 0,2%. O défice comercial entre os dois países, que ascende a 889 milhões de euros, evidencia a necessidade de aumentar as exportações portuguesas para este mercado.
Nuno Botelho, presidente da Associação Comercial do Porto, destaca que a Índia representa uma enorme oportunidade para as empresas portuguesas, especialmente nas áreas de energias renováveis, gestão de água e tecnologias de informação. O acordo UE-Índia não só abre portas para a exportação de bens, mas também para a transferência de know-how e tecnologia, permitindo que Portugal se posicione como um hub logístico e tecnológico na região.
José Eduardo Carvalho, presidente da AIP, reforça que este tratado cria uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, abrangendo cerca de 2 mil milhões de pessoas e representando 25% do PIB global. Setores como o vinho e o azeite beneficiarão de reduções significativas nas tarifas, o que poderá aumentar a competitividade dos produtos portugueses no mercado indiano. Por exemplo, as tarifas sobre o vinho serão reduzidas de 150% para 30%, enquanto o azeite verá uma diminuição de 45% para 0%.
No setor automóvel, as taxas de importação também serão gradualmente reduzidas, o que poderá facilitar a entrada de componentes e tecnologias portuguesas na Índia. José Couto, presidente da Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel (AFIA), considera que este é um momento crucial para a indústria automóvel europeia, que poderá beneficiar do crescimento do mercado indiano.
Contudo, alguns setores, como o têxtil, expressam preocupações sobre a concorrência que o mercado indiano poderá representar. Apesar disso, Altino Álvares, presidente do Portugal India Business Hub, acredita que muitas empresas que antes não consideravam a Índia como uma opção agora poderão explorar este mercado. Ele ressalta a importância de se prepararem para as oportunidades que surgirão com a implementação do acordo.
Embora o impacto imediato do acordo UE-Índia possa não ser visível nos próximos anos, os especialistas concordam que as vantagens superam os riscos. A diversificação de mercados é crucial para a economia portuguesa, especialmente num contexto internacional incerto. O acordo é, portanto, uma janela de oportunidades para as empresas nacionais.
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Fonte: ECO





