As duas centrais solares em desenvolvimento na Beira Baixa, que têm gerado contestação por parte da população, irão ser reformuladas. A decisão foi anunciada pela ministra do Ambiente e da Energia durante uma audição no Parlamento, onde afirmou que os promotores foram instruídos a rever os projetos de acordo com as orientações da Agência Portuguesa do Ambiente (APA).
As centrais, conhecidas como Beira e Sophia, estão a ser desenvolvidas pela empresa britânica Lightsource BP e têm sido alvo de críticas por parte de autarquias, associações e cidadãos. A central Sophia, por exemplo, previa a instalação de quase 870 MWp de potência, com um investimento estimado em cerca de 600 milhões de euros, abrangendo os concelhos do Fundão, Idanha-a-Nova e Penamacor, no distrito de Castelo Branco. Por sua vez, a central Beira tinha um projeto para 266 MW, com mais de 425 mil painéis solares distribuídos por uma área de 542 hectares.
Recentemente, a consulta pública ambiental da central solar de Sophia terminou com mais de 10 mil participações, um número recorde para um projeto deste tipo em Portugal. O relatório resultante da consulta será elaborado posteriormente, permitindo uma análise mais aprofundada das opiniões expressas. A elevada participação sugere que muitos dos intervenientes são cidadãos individuais, embora autarquias e ambientalistas também tenham manifestado a sua oposição ao projeto.
A APA, responsável pelo licenciamento ambiental, terá a palavra final sobre a aprovação dos projetos solares. O investimento de quase 600 milhões de euros por parte da Lightsource BP visa a produção de eletricidade suficiente para abastecer 370 mil lares anualmente, com uma produção estimada de 1.270 GWh.
A empresa garante que o projeto será ajustado com base nas recomendações das entidades envolvidas. A Lightsource BP destaca ainda a sua intenção de promover a reabilitação ecológica de áreas degradadas, substituindo eucaliptos por sobreiros e azinheiras, e preservando todos os sobreiros e azinheiras existentes.
No entanto, as autarquias locais têm expressado a sua oposição. O município de Idanha-a-Nova emitiu um parecer desfavorável, argumentando que o projeto é incompatível com os valores ambientais e culturais da região. A câmara municipal do Fundão também manifestou preocupações, considerando a dimensão e o impacto da central Sophia como preocupantes. A autarquia de Penamacor seguiu o mesmo caminho, alertando para a degradação da paisagem que a instalação da central poderia causar.
Entre os ambientalistas, a Quercus e a Rewilding Portugal também se opuseram aos projetos, considerando que os estudos de impacto ambiental são insuficientes e que os projetos não cumprem critérios mínimos de sustentabilidade. Uma petição pública, que já conta com mais de 13 mil assinaturas, exige o fim das “mega-centrais solares” na Beira Baixa, citando preocupações com a biodiversidade e a economia local.
A Lightsource BP, por sua vez, reafirma o seu compromisso com a sustentabilidade e a regeneração do território, destacando a plantação de novas árvores autóctones e a criação de corredores ecológicos. A empresa tem mantido diálogo com as autarquias e outras entidades para garantir que o projeto evolui de forma transparente e respeitosa com as comunidades envolvidas.
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Fonte: Sapo





