ESG e a rentabilidade das empresas de distribuição alimentar

Nos últimos anos, os fatores ESG (Ambiental, Social e Governança) têm vindo a ganhar destaque em diversos setores, incluindo a distribuição alimentar. De acordo com o World Economic Forum, os ESG são fundamentais para medir a sustentabilidade e o impacto ético de um investimento ou operação empresarial. Estes pilares são agora essenciais não apenas para atrair investimento, mas também para garantir a resiliência das empresas num mercado cada vez mais exigente e consciente.

No setor da distribuição alimentar, os ESG deixaram de ser um mero diferencial competitivo para se tornarem uma base de atuação. Este sector, caracterizado pela sua complexidade logística e impacto ambiental, tem uma responsabilidade acrescida e, ao mesmo tempo, uma grande oportunidade de contribuir para um modelo económico mais justo e sustentável.

No que diz respeito ao pilar Ambiental, a redução do impacto ambiental é crucial. A distribuição alimentar é responsável por uma significativa emissão de gases com efeito de estufa e desperdício de embalagens. Em Portugal, já se observam várias iniciativas, como a adoção de frotas elétricas e a instalação de painéis solares em armazéns. No entanto, o país ocupa a 15ª posição no Green Transition Index 2024, ficando atrás de nações como a Dinamarca e a Holanda, que utilizam tecnologias como a blockchain para assegurar a rastreabilidade na cadeia de valor.

Uma abordagem promissora é a redução, reutilização e reciclagem. A diminuição do uso de embalagens e a utilização de contentores reutilizáveis entre fornecedores e retalhistas, bem como o reaproveitamento de excedentes alimentares, são práticas que ajudam a reduzir a pegada de carbono. Estudos da Ellen MacArthur Foundation indicam que a redução de descartáveis pode gerar ganhos económicos significativos, como já demonstrado em programas-piloto de grandes superfícies. A sustentabilidade começa com decisões simples e conscientes, tomadas diariamente.

Leia também  Portugal investe 2 mil milhões em rede de captura de CO2 até 2040

No que toca ao pilar Social, a valorização das pessoas e das relações é fundamental. Este aspecto vai além da relação com os colaboradores, abrangendo todos os stakeholders, incluindo fornecedores, clientes e comunidades locais. A distribuição alimentar é, por natureza, uma atividade relacional, e as decisões tomadas têm um impacto profundo. As empresas devem promover políticas que incentivem uma alimentação saudável e condições de trabalho que respeitem o bem-estar dos trabalhadores, além de apoiar iniciativas comunitárias.

A dimensão de Governança é igualmente crucial. Falar de “G” é abordar a ética, a transparência e a responsabilidade. No setor, isso traduz-se em garantir a origem dos produtos e implementar políticas rigorosas de controlo interno. Embora em Portugal a utilização de inteligência artificial para otimizar processos ainda esteja em fase inicial, representa um grande potencial para inovação. A boa governança é uma exigência que constrói reputação e ajuda a antecipar crises.

A implementação dos ESG não é exclusiva de grandes empresas. No setor da distribuição alimentar, há um enorme potencial para melhorar práticas e gerar impacto positivo. Estudos como o “Sustainable Supply Chains Report” da McKinsey revelam que cadeias de abastecimento sustentáveis podem reduzir custos operacionais em até 15%, refletindo-se na rentabilidade. Além disso, o “2023 Global ESG Survey” da EY indica que mais de 60% dos investidores institucionais consideram os critérios ESG essenciais nas suas decisões.

Em Portugal, já se estão a aplicar medidas simples, como a substituição gradual de frotas e a redução de plásticos. Se o país conseguir capitalizar a sua escala reduzida para testar e acelerar estas soluções, poderá afirmar-se como um laboratório de inovação sustentável na Europa.

Adotar práticas ESG não requer necessariamente grandes investimentos. Pode começar com pequenas ações, desde que haja intenção e planejamento. O importante é integrar esta visão no dia a dia da empresa, tomando decisões que considerem não apenas o lucro, mas também o impacto social e ambiental.

Leia também  Governo investe 25 milhões em inteligência artificial na Administração Pública

Em suma, implementar uma política ESG implica uma transformação de processos e uma mudança de mentalidades. Apesar dos desafios, como os retrocessos temporários durante a pandemia, é essencial manter uma visão a longo prazo. Os ESG não são uma moda, mas uma estratégia de resiliência e futuro. No setor da distribuição alimentar, a responsabilidade é maior, mas também o potencial de transformação é significativo. Cada medida e cada decisão contribuem para um setor mais justo e consciente, refletindo uma gestão que beneficia tanto as empresas como a sociedade.

Leia também: O impacto das práticas sustentáveis na rentabilidade empresarial.

Leia também: Amor e dinheiro: o sonho de ter um milhão de euros

Fonte: Sapo

Simular quanto pode poupar nos seus seguros!

Não percas as principais notícias e dicas de Poupança

Não enviamos spam! Leia a nossa política de privacidade para mais informações.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Back To Top