Luís Gomes, presidente da APQuímica, a Associação Portuguesa da Química, Petroquímica e Refinação, abordou em entrevista ao programa Conversa Capital, da Antena 1 e do Jornal de Negócios, a potencial fusão entre a Galp e a espanhola Moeve, anteriormente conhecida como Cepsa. Segundo Gomes, embora ainda não se vislumbrem impactos diretos para o setor, o Estado português terá um papel relevante a desempenhar neste negócio.
Se a transação entre a Galp e a Moeve se concretizar, poderá resultar numa fusão de ativos significativos, incluindo cerca de 3.500 postos de combustíveis e três refinarias em dois países, com uma capacidade total de processamento de aproximadamente 700 mil barris de petróleo por dia. Apesar de não existirem, até ao momento, informações que comprometam os interesses estratégicos de Portugal, Gomes sublinha que o Estado, detentor de 8% da Galp, terá uma palavra a dizer.
O presidente da APQuímica ressalta que, embora a associação não se pronuncie habitualmente sobre os negócios dos seus associados, a situação atual exige uma análise cuidadosa. É importante aguardar o desenvolvimento do negócio e o seu formato final antes de tirar conclusões. No que diz respeito aos trabalhadores, Gomes afirma que não prevê problemas na refinaria, uma vez que o setor enfrenta uma escassez de mão de obra especializada, com capacidade para absorver cerca de 1.000 novos trabalhadores.
Além disso, Luís Gomes elogiou o recente acordo da União Europeia com o Mercosul, que representa uma oportunidade para a expansão do negócio. Ele afirma que a indústria portuguesa não teme a concorrência e que os acordos com a Índia também são bem-vindos. Contudo, Gomes critica as tarifas impostas pelos EUA, que geram instabilidade e incerteza no mercado.
O setor químico tem demonstrado um crescimento médio de 5% e, segundo Gomes, essa tendência deverá manter-se até 2026. O volume de negócios do setor atinge os 17 mil milhões de euros, com 4 mil milhões em exportações, representando 15% dos bens exportados. O investimento anual no setor é de mil milhões de euros.
Apesar do crescimento, Gomes alerta para os custos de contexto, especialmente em relação à energia. As indústrias químicas são intensivas em consumo de eletricidade, e a falta de igualdade de condições em relação às indústrias europeias é uma preocupação. Para ele, é fundamental não apenas baixar o preço da eletricidade, mas também nivelar os preços na União Europeia, uma posição já defendida pelo Governo em Bruxelas.
Por fim, Gomes defende a necessidade de criar um ambiente económico favorável ao desenvolvimento das empresas, propondo o fim da derrama estadual como uma medida essencial.
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Fonte: Sapo





