Portugal terminou o ano de 2025 com um crescimento económico de 1,9%, superando a média da zona euro, mas ficando aquém da meta de 2% estabelecida pelo Governo. Este resultado, embora positivo, reflete a pressão da componente externa, que já era esperada pelos empresários, que notaram uma tendência de queda nas encomendas.
Os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgados a 30 de janeiro, revelam que o crescimento de 1,9% é idêntico ao registado no último trimestre do ano em comparação homóloga. A procura interna teve um desempenho positivo, contribuindo mais do que no ano anterior, enquanto a procura externa apresentou um desempenho menos favorável.
Ainda não foram divulgados os números detalhados por categoria do Produto Interno Bruto (PIB), mas o INE já indicou que as exportações desaceleraram mais do que as importações, o que ajuda a explicar o resultado do ano. Armindo Monteiro, presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), afirmou que a situação não foi uma surpresa, dado que os empresários já tinham uma noção do que se avizinhava devido à diminuição das encomendas.
A quebra no volume de negócios, segundo Monteiro, é resultado da incerteza provocada por políticas comerciais erráticas, como as tarifas anunciadas pela administração Trump. Estas ameaças, mesmo que não se concretizem, geram paragens na economia, refletindo-se diretamente no PIB.
Com a diminuição das tensões comerciais, espera-se uma maior estabilidade em 2026, o que poderá beneficiar os exportadores e, consequentemente, a economia nacional. No entanto, Monteiro alerta que a recuperação não será uniforme entre os diferentes sectores. “Aqueles que se diferenciam pela qualidade e não apenas pelo preço terão melhores resultados, enquanto os que competem apenas por preço podem enfrentar dificuldades”, afirmou.
Apesar de não ter atingido a meta de crescimento, Portugal, com 1,9%, posiciona-se acima da média da zona euro, que foi de 1,5%. No quarto trimestre, a economia nacional cresceu 0,8%, sendo a terceira a apresentar maior crescimento em cadeia, atrás da Lituânia e Espanha.
Na comparação homóloga, Portugal foi ultrapassado por vários países, com a Irlanda a liderar com 6,7%, embora este número possa ser revisto devido ao impacto das multinacionais. Espanha, com 2,6%, e Lituânia, com 2,5%, também superaram o crescimento português.
Os empresários mantêm-se optimistas e acreditam que o objetivo de 2,3% de crescimento para 2026 ainda é alcançável. “Não devemos desistir tão cedo, pois não há sinais que indiquem que este objetivo seja inatingível”, conclui Monteiro.
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Fonte: Sapo





