APREN alerta: mais centrais de arranque autónomo não garantem segurança

O presidente da Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN), Pedro Amaral Jorge, alertou que o aumento do número de centrais de arranque autónomo, conhecidas como ‘black start’, pode não garantir uma maior segurança na recuperação do sistema elétrico após apagões. Durante uma audição no parlamento, no âmbito do Grupo de Trabalho que analisa o apagão de 28 de abril de 2025, Amaral Jorge afirmou que “quanto mais, melhor” não se aplica a estas centrais, uma vez que a sua multiplicação pode aumentar a complexidade do processo de reposição de energia.

Segundo o responsável, a recuperação do sistema elétrico exige uma sincronização rigorosa entre as unidades de produção e as redes. Ele sublinhou que “não é certo que mais centrais de arranque autónomo resolvam o problema do sistema”, alertando que um erro na coordenação pode levar a novas quedas do sistema.

Após o apagão, foram ativadas centrais com capacidade de arranque autónomo, como Castelo de Bode e Tapada do Outeiro. A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) também determinou à REN – Redes Energéticas Nacionais a contratação de mais duas centrais com esta capacidade, Baixo Sabor e Alqueva, que já estão em funcionamento desde o início deste ano.

Amaral Jorge destacou que Portugal conseguiu repor o sistema em cerca de 16 horas, um tempo inferior às primeiras previsões de 72 horas. “Tivemos sorte” na recuperação, apesar das dificuldades nas comunicações e da incerteza inicial sobre o comportamento da rede. O presidente da APREN reiterou que soluções baseadas em produção inflexível não aumentam a segurança do sistema, defendendo que a flexibilidade é um fator crítico.

Ele também comentou que a energia nuclear “é aquilo que é não flexível” e lembrou que, apesar de Espanha dispor de capacidade nuclear, esta fonte energética “não fez nada para resolver esse problema” no dia do apagão. A experiência ibérica demonstra que a resiliência do sistema elétrico depende mais da flexibilidade operacional, da gestão das redes e da coordenação entre operadores do que do aumento do número de centrais de arranque autónomo ou da aposta em tecnologias rígidas.

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O grupo de peritos da Rede Europeia de Operadores de Transporte de Eletricidade (ENTSO-E) identificou como causa mais provável do apagão um aumento de tensão em cascata, observado no sul de Espanha na fase final do incidente, seguido de desligamentos súbitos de produção, especialmente de fontes renováveis. Esta situação levou à separação elétrica da Península Ibérica do sistema continental, resultando em perda de sincronismo e colapso da frequência e tensão. O relatório final sobre o apagão elétrico será publicado no primeiro trimestre de 2026.

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centrais de arranque autónomo centrais de arranque autónomo Nota: análise relacionada com centrais de arranque autónomo.

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Fonte: ECO

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