Bancos da Zona Euro endurecem crédito às empresas em 2025

Os bancos da Zona Euro surpreenderam ao endurecer as condições de acesso ao crédito às empresas no quarto trimestre de 2025, interrompendo a tendência de alívio que se vinha a verificar nos trimestres anteriores. O mais recente inquérito do Banco Central Europeu (BCE) revela que 7% das instituições financeiras inquiridas apertaram os critérios internos de aprovação de empréstimos, um aumento significativo em relação aos 1% que tinham sido antecipados no inquérito anterior.

Este endurecimento das condições de crédito às empresas reflete preocupações sobre as perspetivas económicas e uma menor tolerância ao risco por parte dos bancos, conforme destaca o BCE em comunicado. O aperto foi mais acentuado em setores como a construção, o comércio por grosso e a retalho, a indústria transformadora energética e o imobiliário comercial. A indústria automóvel também sentiu um impacto significativo, com restrições de crédito mais severas.

No que diz respeito às famílias, a situação é mais complexa. No crédito à habitação, os bancos aliviaram ligeiramente os critérios de aprovação, com um saldo líquido de -2%, contrariando as suas próprias expectativas. Este movimento pode ser atribuído à pressão concorrencial entre as instituições financeiras, embora as perceções de risco tenham também influenciado a decisão. Por outro lado, no crédito ao consumo, o aperto intensificou-se, com 6% dos bancos a reportarem condições mais restritivas, superando as previsões de 4% do trimestre anterior.

Apesar do endurecimento das condições de crédito às empresas, a procura por financiamento aumentou ligeiramente, com um crescimento de 3% nas necessidades das empresas. Este aumento foi impulsionado principalmente pela necessidade de financiar inventários e capital circulante. O investimento fixo, no entanto, manteve uma contribuição neutra. Entre as famílias, o crédito à habitação continuou a crescer de forma moderada, com um aumento de 9%, sustentado pela melhoria das perspetivas do mercado imobiliário, apesar de uma queda de 2% no crédito ao consumo, refletindo uma menor confiança dos consumidores.

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Um dos aspectos mais relevantes do inquérito foi a análise do impacto das tensões comerciais e da incerteza política global. Quase metade dos bancos classificou a sua exposição a estas dinâmicas como “importante”. Para os próximos meses, os bancos antecipam a continuação deste ambiente cauteloso, prevendo um aperto moderado adicional nas condições de crédito às empresas, um ligeiro endurecimento para o crédito à habitação e um aperto mais acentuado para o crédito ao consumo no primeiro trimestre de 2026.

Esta postura conservadora dos bancos não se deve apenas à incerteza económica global, mas também a pressões regulatórias. Os bancos indicaram aumentos nos seus rácios de capital e ativos líquidos, além de um impacto de aperto nas condições de crédito resultante de ações regulatórias e de supervisão.

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Fonte: ECO

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