As eleições presidenciais de 1986 são um marco na história política de Portugal, e as memórias desse período continuam a influenciar o cenário atual, especialmente com as eleições de 2026 à porta. João Soares, filho do ex-presidente Mário Soares, partilhou algumas reflexões sobre a vitória do pai e as semelhanças e diferenças com os desafios que André Ventura enfrenta hoje.
Na noite de 16 de fevereiro de 1986, Mário Soares foi declarado vencedor, apesar de ainda faltarem resultados de várias freguesias. A sua vitória foi um momento decisivo para a democracia em Portugal, e João Soares recorda que Freitas do Amaral, o seu opositor, sempre acreditou que o verdadeiro candidato à presidência era o seu pai. “Ele sempre teve o sentimento de que quem merecia ser Presidente da República era o Mário Soares”, afirma João.
André Ventura, líder do Chega, é uma figura controversa que, segundo João Soares, não está derrotado à partida. O filho de Mário Soares acredita que Ventura tem um grupo de apoiantes leais que não desistem de votar, o que pode representar um risco para candidatos como António José Seguro. “O apoio de Ventura é sólido, e ele tem uma claque que o acompanha”, diz João Soares.
A campanha de 1986 foi marcada por inovações, e João Soares recorda a forma como a comunicação política evoluiu desde então. “Naquela época, as campanhas eram mais diretas e envolviam as pessoas de maneira diferente. Hoje, com as redes sociais, a informação chega de forma rápida, mas muitas vezes superficial”, explica. Esta mudança na forma como os eleitores recebem informação pode ter um impacto significativo nas presidenciais de 2026.
A comparação entre os candidatos de 1986 e os de hoje é inevitável. João Soares observa que, apesar das diferenças, a polarização entre direita e esquerda continua a ser um tema central. “Não podemos simplificar a política a um confronto binário. A realidade é mais complexa”, afirma. Ele alerta para o perigo de desmobilização dos eleitores, um fenómeno que já experienciou em 2001, quando perdeu as eleições para Santana Lopes.
Rui Gomes da Silva, ex-ministro e apoiante de Ventura, também reflete sobre a evolução das campanhas eleitorais. “Antigamente, os candidatos percorriam as ruas, falavam com as pessoas. Hoje, tudo parece estar centrado no líder”, lamenta. Essa centralização pode ter consequências para a forma como os eleitores se relacionam com os candidatos nas próximas eleições.
As presidenciais de 1986 foram um momento emotivo, e João Soares acredita que o mesmo pode acontecer em 2026. “A política é uma questão de emoções e memórias. O que se passa hoje pode ser influenciado por eventos do passado”, conclui.
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Fonte: ECO





