O preço do ouro tem estado numa montanha-russa, com uma recente subida que fez o seu valor duplicar em apenas um ano, atingindo um recorde superior a 5600 dólares por onça. No entanto, essa trajetória ascendente foi abruptamente interrompida pela maior queda em uma década, com o metal precioso a perder 9% em apenas três dias. Hoje, o preço do ouro recupera, subindo cerca de 6%. O que está a provocar esta volatilidade?
Historicamente, o ouro é visto como um ativo de reserva de valor, especialmente em tempos de incerteza. Contudo, a recente instabilidade levanta questões sobre a sua fiabilidade. A crescente tensão geopolítica, que inclui conflitos na Ucrânia e na Faixa de Gaza, bem como a operação dos EUA na Venezuela, tem contribuído para a procura do ouro como refúgio seguro.
Além disso, o Wall Street Journal destacou outros fatores que têm influenciado o preço do ouro. Um deles é o chamado “debasement trade”, que se refere ao receio de que os governos não consigam controlar a inflação ou reduzir a dívida pública, o que pode desvalorizar as moedas. O dólar, por exemplo, tem estado em queda, perdendo cerca de 12% do seu valor em relação ao euro desde o final de 2024.
A dívida pública global tem aumentado de forma alarmante, com a diretora-geral do FMI a alertar que se aproxima de 100% do PIB mundial. Nos Estados Unidos, a dívida pública atingiu 121% do PIB no ano passado, com tendência a aumentar. Este cenário tem levado os investidores a buscar alternativas, como o ouro, especialmente com a descida das taxas de juro. Desde meados de 2024, a Reserva Federal já cortou a taxa de referência em 175 pontos-base, o que torna aplicações de baixo risco menos atrativas.
Os bancos centrais também têm desempenhado um papel significativo na valorização do ouro, aumentando as suas aquisições desde 2022 e reduzindo as reservas em dólares, especialmente em países com relações tensas com o Ocidente. Recentemente, a entrada de especuladores chineses no mercado, desde investidores individuais a grandes fundos, acelerou a subida do preço do ouro, embora a correção tenha sido inevitável.
Na última sexta-feira, o mercado foi abalado pela maior queda da prata na história, com uma desvalorização de 26%, enquanto o ouro perdeu 9%. Esta correção foi impulsionada pela escolha de Kevin Warsh para liderar a Reserva Federal, que desfez as expectativas de uma descida rápida das taxas de juro, levando a uma venda apressada de posições em carteira.
Atualmente, o preço do ouro está a recuperar, com uma cotação de 4.931,5 dólares por onça. Apesar da correção, analistas como Garfield Reynolds da Bloomberg afirmam que os fatores fundamentais que sustentam a valorização do ouro permanecem, afastando a possibilidade de uma queda prolongada. Com a incerteza geopolítica a persistir, a montanha-russa do preço do ouro promete continuar a surpreender.
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Fonte: ECO





