Uma semana após a passagem devastadora da tempestade Kristin, Leiria e a região Centro de Portugal estão a trabalhar arduamente para se reerguer. Durante a minha visita à cidade, foi difícil imaginar a destruição que ocorreu apenas dias antes, mas a realidade é que ainda há muito por fazer.
Os danos em Leiria são evidentes, mas a situação é ainda mais grave nas localidades circundantes, como Marinha Grande, Pombal e Vieira de Leiria. Estas áreas apresentam marcas visíveis da fúria da natureza, que se estendeu até Castelo Branco e afetou outras regiões, incluindo o Alentejo. Ao viajar de sul para norte, a destruição é palpável, com milhares de árvores caídas ao longo das estradas. Os pinheiros, partidos como palitos, e os eucaliptos, que se curvaram quase até ao chão, são apenas alguns dos testemunhos da força do vento.
Num território caracterizado por vilas e aldeias, o isolamento tornou-se uma desvantagem. Muitas casas e estabelecimentos foram severamente danificados, com telhados arrancados e estradas obstruídas por postes de eletricidade caídos. Uma semana após a tempestade, ainda há vias cortadas e toneladas de madeira à espera de ser removidas.
Como jornalista do ECO, a minha prioridade foi conversar com empresários e associações locais. Apesar da preocupação generalizada, muitos expressaram a esperança de que a região possa recuperar e voltar a ser o motor económico e industrial que sempre foi. Embora o caminho à frente seja longo, a resiliência da comunidade é inegável.
O espírito de luta é visível nas pessoas que, mesmo após a tragédia, mantêm a dignidade e a determinação. Numa cafetaria em Leiria, uma senhora, ao notar que éramos jornalistas, partilhou as suas preocupações sobre a lentidão na recuperação da normalidade, mas nunca perdeu o sorriso. A sua frase “vocês não veem aqui as pessoas a chorar, pois não?” ressoou em mim. É verdade que houve lágrimas, especialmente com as perdas de vidas e negócios, mas o sentimento geral é de indignação e de vontade de seguir em frente.
Não pretendo discutir as medidas governamentais ou a resposta tardia do poder central. O foco deve estar nas pessoas que, mesmo sem apoio, continuam a lutar. As professoras que acolhem os alunos no regresso às aulas, os colegas que ajudam uns aos outros nas reparações e os voluntários que se mobilizam para apoiar a comunidade são exemplos do que significa ser solidário.
Uma imagem marcante foi a fila de pessoas à espera de telhas junto ao estádio danificado. A operação, organizada pelas Forças Armadas, permitiu que muitos recebessem as telhas de que precisavam para reconstruir as suas casas. Para muitos, a telha representa proteção, abrigo e a base para a reconstrução das suas vidas.
Leiria é uma comunidade forte, resiliente e prática. Embora o caminho para a recuperação seja longo e o apoio do país possa ser insuficiente, a determinação da população é clara. O que depender deles será feito, e a brava gente de Leiria está pronta para reerguer-se.
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Fonte: ECO





