A Europa e a nova ordem mundial: desafios e oportunidades

A história do conto “O Rei vai nu”, de Hans Christian Andersen, ilustra verdades que muitas vezes preferimos ignorar. O rei, obcecado pela sua aparência, é enganado por dois vigaristas que lhe prometem um tecido mágico, invisível para os tolos. Temendo ser considerado incompetente, finge ver o que não existe, levando todos à sua volta a fazer o mesmo. No final, uma criança ousa revelar a verdade: “O rei vai nu!” Esta narrativa é pertinente no contexto atual das relações internacionais, especialmente após a intervenção do primeiro-ministro canadense, Mark Carney, no Fórum Económico de Davos.

Carney, como a criança do conto, apela à necessidade de encarar a realidade sem ilusões. Ele afirma que o mundo está a entrar numa fase de brutalidade geopolítica, onde as regras que antes governavam as relações entre potências estão a desvanecer-se. Citando Tucídides, Carney destaca que “os fortes fazem o que podem e os fracos fazem o que devem”, sublinhando a fragilidade da ordem internacional atual.

Neste cenário, muitos países tendem a ceder, acreditando que a acomodação pode trazer harmonia e segurança. No entanto, essa abordagem resulta em rituais vazios, onde todos se conformam com uma ilusão que, embora confortável, já não corresponde à realidade. Carney reconhece que estamos a viver uma ruptura, não uma simples transição, e que as instituições internacionais que antes apoiavam as pequenas e médias potências, como o Canadá, estão a perder a sua eficácia.

A mensagem de Carney vai além da crítica. Ele defende que, em vez de tentar recuperar um equilíbrio que já não existe, é crucial procurar uma nova arquitetura nas relações internacionais. Esta nova ordem deve garantir a autonomia estratégica das pequenas e médias potências, permitindo-lhes prosperar num mundo cada vez mais fragmentado.

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Contudo, um mundo de fortalezas isoladas seria menos sustentável e mais vulnerável. O objetivo deve ser a construção de um novo estado de relações que vá além da soma das partes. Isso implica reduzir as vulnerabilidades, reforçar as indústrias nacionais e diversificar parcerias em torno de objetivos comuns que promovam o progresso coletivo.

A intervenção de Carney é uma chamada à ação, desafiando a passividade atual e propondo uma visão inovadora para o futuro. A Europa, com os seus recursos e responsabilidades, tem a oportunidade de não apenas reagir, mas de moldar esta nova ordem mundial. Este é o grande desafio que se coloca à Europa, tanto no plano interno como na sua diplomacia internacional.

Leia também: A importância da Europa na nova geopolítica global.

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Fonte: Sapo

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