O PSI-20, índice que representa as principais empresas cotadas em Portugal, conta atualmente com apenas 16 empresas, o que levanta questões sobre a competitividade e a dimensão do tecido empresarial nacional. Apesar de um grupo restrito de empresas ainda brilhar, a situação revela fragilidades na estrutura organizativa de muitas delas. Negócios robustos, como o turismo, têm potencial para atrair capital, mas frequentemente ficam ocultos nas contas agregadas de grandes grupos.
Recentemente, assistimos a um renascimento inesperado do mercado de capitais em Portugal, que se encontrava em dificuldades para cumprir a sua função principal: colocar e manter empresas no mercado. Os vistos gold, que anteriormente impulsionaram o investimento imobiliário durante a crise económica entre 2011 e 2014, estão a ganhar nova vida. Embora a compra de imóveis para obtenção do visto tenha sido excluída devido ao impacto no aumento dos preços das casas, o regime agora permite que os investidores apliquem capital em outras áreas, como a abertura de empresas e a aquisição de fundos compostos por 60% de empresas portuguesas.
Os resultados têm sido notáveis. O PSI-20, que há mais de uma década se encontrava estagnado, recebeu uma injeção de capital que revitalizou o mercado. A recuperação da economia nacional, que, embora não esteja a crescer a um ritmo acelerado, supera a média europeia, tem contribuído para esta transformação. O investimento estrangeiro, que representa uma parte significativa do capital que entrou no PSI-20, totaliza cerca de 720 milhões de euros, funcionando como uma verdadeira transfusão de sangue que operou um milagre de ressurreição para o índice.
Com as bases financeiras de muitas empresas restabelecidas, após reestruturações significativas, assistimos ao regresso de instituições como o BCP, que procura expandir-se, e a EDP, que reduziu a sua dívida e adotou um novo modelo de negócios. Outras empresas, como a GALP, Sonae, Navigator, Jerónimo Martins e Mota, também estão a crescer e a expandir os seus negócios. O mercado de capitais é crucial para o financiamento das empresas, e o capital estrangeiro que entrou no PSI-20 reabriu esta porta.
É essencial que não permitamos que vozes críticas, como as de alguns políticos que defendem uma abordagem mais radical, coloquem em risco este progresso. O PSI-20 renasceu e, com ele, surgem novas oportunidades para o desenvolvimento económico em Portugal. Leia também: O impacto do investimento estrangeiro no mercado imobiliário.
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Fonte: Sapo





