O Embaixador da União Europeia (UE) na Guiné-Bissau, Federico Bianchi, foi expulso no passado sábado da Casa dos Direitos, um incidente que levanta preocupações sobre a situação dos direitos humanos no país. A expulsão foi realizada por um grupo de cerca de dez agentes da Polícia de Intervenção Rápida, que invadiram as instalações sem qualquer explicação ou justificativa legal.
A denúncia foi feita por uma organização não-governamental local, que já tinha sido alvo de três incursões armadas nos últimos dois meses. No comunicado emitido, a Casa dos Direitos descreve a situação como “grave, inesperada e absolutamente inaceitável”. A visita do diplomata italiano à Casa dos Direitos fazia parte da 12.ª Quinzena dos Direitos, uma iniciativa que visa promover e defender os direitos humanos na Guiné-Bissau.
Este episódio é apenas mais um capítulo de uma série de eventos preocupantes que começaram a 22 de dezembro de 2025, quando a Casa dos Direitos foi invadida e dois funcionários da Liga Guineense dos Direitos Humanos foram detidos e espancados. A organização sublinha que este padrão de intimidação e repressão é alarmante e representa uma violação das liberdades fundamentais.
Apesar do contexto de hostilidade, a Casa dos Direitos tem procurado manter um diálogo institucional com as autoridades de transição. Recentemente, uma delegação da Liga Guineense dos Direitos Humanos teve um encontro com estas autoridades, onde foram discutidos os constrangimentos enfrentados e a importância da Quinzena dos Direitos. O diálogo resultou na reafirmação do papel da Casa dos Direitos como um contributo essencial para a promoção da democracia e do Estado de Direito na Guiné-Bissau.
A expulsão do Embaixador da UE é vista como um desrespeito grave para com a principal entidade multilateral do país. A Casa dos Direitos responsabiliza as autoridades de transição por qualquer ataque à vida e integridade física dos seus membros, que trabalham pacificamente para o fortalecimento da democracia. A organização exorta as autoridades a abandonarem todas as ações hostis, que apenas prejudicam a imagem internacional da Guiné-Bissau e obstruem o processo de normalização democrática.
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Fonte: Sapo





