A abstenção nas eleições presidenciais de Portugal poderá ter um impacto significativo na legitimidade do próximo Presidente da República, que será decidido na segunda volta marcada para este domingo. As previsões apontam para uma diminuição da participação eleitoral, o que poderá favorecer André Ventura e fragilizar o mandato de António José Seguro, o candidato mais esperado para vencer.
De acordo com politólogos, a perceção de uma vitória antecipada de Seguro, aliada a fatores como as depressões atmosféricas e o desgaste eleitoral, cria um cenário propício à desmobilização dos eleitores. As câmaras de Alcácer do Sal, Arruda dos Vinhos e Golegã já solicitaram o adiamento das eleições para 15 de fevereiro devido ao mau tempo.
Na primeira volta, realizada a 18 de janeiro, António José Seguro obteve 31,12% dos votos, enquanto André Ventura ficou em segundo lugar com 23,52%. Este resultado, num dos escrutínios mais competitivos das últimas décadas, reflete a crescente fragmentação do eleitorado português. A primeira volta registou uma taxa de abstenção de 43,66%, a mais baixa em 20 anos, embora ainda assim inferior à abstenção nas legislativas de 2024 e 2025.
Os especialistas antecipam uma desmobilização na segunda volta. Bruno Ferreira Costa, professor de Ciência Política, observa que “a possibilidade de um resultado incerto é baixa”, o que pode levar muitos eleitores a não se deslocarem às urnas. Além disso, a falta de identificação com os candidatos e as condições meteorológicas adversas poderão afastar ainda mais o eleitorado.
Sílvia Mangerona e Marco Lisi corroboram esta análise, apontando que a expectativa de um desfecho previsível pode desmotivar os eleitores. Lisi destaca que muitos podem sentir que o resultado já está decidido, enquanto Mangerona alerta que a contestação e a revolta podem também influenciar a participação.
André Azevedo Alves, professor da Universidade Católica Portuguesa, acrescenta que os efeitos do mau tempo podem prejudicar a participação, especialmente nas áreas mais afetadas. O impacto da abstenção deverá refletir-se na margem de vitória, com Ventura a beneficiar de uma maior mobilização do seu eleitorado, que se considera mais fiel e comprometido.
Os especialistas concordam que, apesar de ambos os candidatos perderem votos com uma maior abstenção, a situação poderá favorecer Ventura, dado que o seu eleitorado tende a ser mais mobilizado. A legitimidade do mandato de Seguro poderá ser questionada se a participação for baixa, uma vez que uma vitória com menos de 50% de participação terá menos força política.
Além disso, a previsão é de que os votos nulos e em branco aumentem, refletindo a insatisfação do eleitorado. Bruno Ferreira Costa sugere que este pode ser um momento histórico para os votos em branco, enquanto Azevedo Alves antecipa um crescimento significativo destes votos, especialmente entre os eleitores de centro-direita que rejeitam ambos os candidatos.
Em suma, a segunda volta das presidenciais deverá ser marcada por uma menor mobilização eleitoral, uma diferença reduzida entre os candidatos e um vencedor que poderá ser politicamente condicionado pelo nível de participação. Leia também: O impacto da abstenção nas eleições legislativas.
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Fonte: ECO





