25 anos após Entre-os-Rios: lições sobre catástrofes em Portugal

No dia 4 de março de 2001, a queda da ponte Hintze Ribeiro, em Entre-os-Rios, marcou a história de Portugal como a maior tragédia rodoviária do país. Para muitos, incluindo eu, este evento não foi apenas uma estatística, mas uma experiência profundamente humana e institucional. Estive presente, vivi aqueles dias intensos e emocionais, e a memória continua viva em mim, especialmente agora, quando o país enfrenta novas catástrofes.

A tragédia de Entre-os-Rios não se limitou a ser uma mera notícia; foi um momento que exigiu uma resposta imediata e eficaz. O Governo da época, juntamente com a Proteção Civil Nacional, decidiu instalar um centro de operações em Castelo de Paiva, próximo ao local do desastre. Esta decisão foi crucial, pois permitiu que as reuniões e decisões fossem tomadas no terreno, onde as consequências da tragédia eram palpáveis. A presença física das autoridades fez toda a diferença na forma como a situação foi gerida.

Lembro-me de como as comunicações com os familiares das vítimas eram feitas de forma direta e respeitosa, com briefings regulares que mantinham todos informados. O então Secretário de Estado da Administração Interna, Carlos Zorrinho, esteve no local durante duas semanas, demonstrando o compromisso do Governo com a situação. A presença de tantos membros do Governo em Castelo de Paiva, ao longo de vinte e três dias, foi um sinal claro de que o país precisava de mais do que palavras; precisava de ação.

As palavras do então Presidente da República, Jorge Sampaio, “Pensar local e agir local”, tornaram-se um lema que ressoava em todos os que estavam envolvidos na resposta à catástrofe. O centro de operações em Castelo de Paiva simbolizou uma nova abordagem do Estado em tempos de crise, onde a proximidade com as pessoas afetadas era fundamental.

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Apesar de todas as lições aprendidas, o livro branco que deveria documentar as ações após a tragédia de Entre-os-Rios nunca foi concluído. Este documento poderia ter servido como um manual de procedimentos para futuras catástrofes, uma forma de garantir que o conhecimento adquirido não se perdesse. Aprendemos sobre a importância da coordenação entre entidades e da comunicação eficaz, mas, acima de tudo, sobre a necessidade de liderança em momentos críticos.

Hoje, passados 25 anos, Portugal enfrenta uma nova catástrofe, que, embora diferente, exige uma resposta igualmente robusta. Não se trata de comparar dores, mas de recordar que já soubemos agir de forma mais eficaz. A memória de Entre-os-Rios deve servir como um referencial para que possamos responder com humanidade e proximidade.

Devemos olhar para o passado com lucidez, aprendendo com os erros e recuperando o que foi feito de certo. Em momentos de tragédia, o país não se governa à distância. É fundamental que o Estado esteja presente, junto das pessoas, para que a resposta a catástrofes ganhe a densidade e a humanidade que estas situações exigem.

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catástrofes Nota: análise relacionada com catástrofes.

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Fonte: ECO

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