Jovens portugueses e o uso de inteligência artificial generativa

Um novo relatório revela que quase 90% das crianças e jovens portugueses, com idades entre os 9 e os 17 anos, utilizam inteligência artificial generativa. Este estudo, divulgado no âmbito do Dia da Internet Segura, mostra que o uso em Portugal é “mais intenso” do que a média europeia.

O relatório, intitulado “Crianças e Jovens (9-17 anos) e Inteligência Artificial Generativa em Portugal”, analisou as respostas de 2.111 jovens e 15 adolescentes sobre as suas práticas e experiências com esta tecnologia. Os resultados indicam que 85% dos inquiridos usaram ferramentas de inteligência artificial generativa no último mês, o que representa um aumento de dez pontos percentuais em relação à média na Europa.

Uma das conclusões mais relevantes do estudo é que quase metade dos jovens, precisamente 48%, recorre à inteligência artificial generativa para resumir ou explicar textos, enquanto 47% utilizam estas ferramentas para realizar trabalhos escolares. Este uso é um reflexo da integração da tecnologia no dia-a-dia dos estudantes, que vêem na IA uma forma de facilitar as suas tarefas académicas.

Além disso, o relatório destaca que um quarto dos jovens portugueses utiliza inteligência artificial generativa para apoio emocional ou pessoal, um número que está dez pontos acima da média europeia, que se fixa nos 15%. Os investigadores, Cristina Ponte e Susana Batista, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa, sublinham que os jovens expressam o desejo de uma maior literacia digital e de uma integração responsável destas tecnologias no ambiente escolar.

O estudo também revela uma divisão digital, onde as condições socioeconómicas influenciam o acesso e a frequência de uso da inteligência artificial generativa. Os jovens mais novos, por exemplo, mostram uma curiosidade e vontade de explorar a tecnologia, enquanto os mais velhos tendem a focar-se mais nos estudos.

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Apesar do uso generalizado, os jovens não são acríticos em relação à tecnologia. Muitos expressam preocupações sobre a manipulação de conteúdos e a possibilidade de criação de “deepfakes”, além de alertarem para o risco de os seres humanos perderem o controlo sobre a tecnologia. No entanto, reconhecem também o potencial criativo da inteligência artificial, especialmente em projetos que antes pareciam inalcançáveis, como a programação de jogos.

Este relatório é parte do inquérito nacional EU Kids Online, realizado entre maio e dezembro de 2025, e inclui um estudo qualitativo com adolescentes que já utilizavam ferramentas de inteligência artificial generativa. A pesquisa mostra que a IA se está a integrar rapidamente nas práticas digitais dos jovens, tanto em ferramentas como o Chat GPT, como em plataformas já populares, como o Roblox.

Em suma, a inteligência artificial generativa já faz parte da vida quotidiana das crianças e adolescentes em Portugal, refletindo uma tendência crescente que merece atenção e reflexão sobre o seu impacto na educação e no desenvolvimento pessoal dos jovens.

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Fonte: Sapo

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