A despesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS) com medicamentos para doenças cardiovasculares registou um aumento significativo de 41% entre 2015 e 2024. Este encargo passou de 357 milhões de euros para cerca de 505 milhões de euros, segundo um relatório da Direção-Geral da Saúde.
Este crescimento é atribuído a vários fatores, incluindo a evolução demográfica, o aumento da prevalência de doenças cardiovasculares crónicas e a ampliação das opções terapêuticas disponíveis, especialmente nas áreas da hipertensão, dislipidemia e insuficiência cardíaca. O relatório, intitulado “10 Anos das Doenças Cérebro e Cardiovasculares em Portugal (2013–2023)”, revela que a farmácia comunitária é responsável pela maior parte da despesa, representando cerca de 92 a 93% do total.
Em 2024, o custo do SNS com medicamentos cardiovasculares dispensados em farmácias comunitárias atingiu os 466 milhões de euros, enquanto os medicamentos hospitalares somaram 38,8 milhões de euros, correspondendo a apenas 7,6% do total. Apesar da estabilidade na despesa hospitalar, a tendência de crescimento global é clara, com um aumento mais acentuado a partir de 2021, que coincide com a recuperação da atividade assistencial após a pandemia e a introdução de novas terapias.
A análise a longo prazo indica que dois fenómenos estão a influenciar este crescimento: a substituição de fármacos por opções mais recentes e de maior custo, como os inibidores da SGLT2 e os anticoagulantes orais diretos, e o envelhecimento da população, que prolonga a duração média do tratamento e aumenta o número de doentes medicados. Os medicamentos para doenças cérebro-cardiovasculares continuam a ser um dos principais fatores da despesa farmacêutica pública, representando uma parte significativa dos medicamentos comparticipados pelo SNS.
O relatório enfatiza a necessidade de otimizar a prescrição e reforçar a adesão terapêutica, de modo a garantir que o aumento do investimento se traduza em melhorias reais na saúde da população e na redução de eventos agudos evitáveis. A comparticipação majoritária destes medicamentos em escalão B ou C tem um impacto significativo no orçamento das famílias, o que reforça a proposta do Programa Nacional para as Doenças Cérebro e Cardiovasculares (PNDCCV) para a reclassificação de fármacos genéricos essenciais em escalão A.
Esta medida poderia melhorar a equidade no acesso aos medicamentos e aumentar a eficiência da despesa pública. O relatório também destaca que as doenças do aparelho circulatório continuam a ser uma das principais causas de internamento e despesa direta em saúde. Entre 2017 e 2024, foram contabilizados 810.776 episódios de internamento relacionados com estas doenças, resultando num custo acumulado de cerca de 2,85 mil milhões de euros para o SNS.
Embora tenha havido uma redução sustentada do número de episódios de internamento (-20,3%), o custo total apenas diminuiu 5,6%, o que sugere um aumento do custo médio por internamento, que passou de 3.210 euros em 2017 para mais de 3.800 euros em 2024. Este aumento reflete uma maior complexidade clínica e o envelhecimento da população, que exigem um maior consumo de recursos diagnósticos e terapêuticos.
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Fonte: Sapo





