O grupo chinês Wingtech manifestou hoje a sua forte insatisfação em relação à decisão da justiça dos Países Baixos, que decidiu manter medidas cautelares sobre a Nexperia e avançar com uma investigação à gestão da fabricante de semicondutores. A Wingtech, que é acionista da Nexperia, lamentou que o tribunal não tenha revogado as medidas provisórias adotadas em 2025, nem levantado a suspensão do presidente executivo, Zhang Xuezheng, conhecido como Wing, e muito menos restaurado os seus direitos enquanto acionista.
No comunicado emitido, a empresa classificou as medidas como “erradas”, afirmando que estas estão a “destruir de forma contínua e irreversível” uma empresa que é considerada um dos principais intervenientes no setor global dos semicondutores. A Wingtech criticou a decisão do tribunal, considerando-a “contraditória”, uma vez que mantém restrições baseadas em informações que considera “parciais e imprecisas”, ao mesmo tempo que ordena uma investigação que, segundo a empresa, revela que os factos “ainda não estão plenamente esclarecidos”.
A Wingtech não teme “qualquer investigação justa, transparente e exaustiva” e acredita que uma análise “objetiva e profissional, livre de preconceitos geopolíticos”, confirmará que as suas ações e as de Zhang foram “legais, conformes e no melhor interesse da empresa e de todas as partes envolvidas”. Além disso, a empresa apelou ao tribunal para que amplie o escrutínio à atual administração provisória da Nexperia, instando à investigação de alegados “comportamentos impróprios” que poderiam ter comprometido a operação da empresa e a estabilidade da cadeia global de fornecimento.
A Wingtech reiterou que a única forma de “salvar” a Nexperia e proteger os interesses de clientes e parceiros é através da “revogação imediata e incondicional de todas as medidas temporárias”. Este caso surge após o Tribunal de Empresa ter decidido manter um administrador independente à frente da Nexperia enquanto decorre a investigação à sua gestão interna.
O processo insere-se num contexto de tensões crescentes entre Pequim e Bruxelas no domínio da tecnologia e da segurança económica. O Governo dos Países Baixos interveio na Nexperia no verão passado, invocando uma legislação do pós-guerra para assumir o controlo da empresa, alegando preocupações com a sua gestão e acusando Zhang de planear despedimentos em massa, a venda de unidades fabris na Europa e o desvio da produção para a China.
Esta decisão, que visou uma empresa de capital chinês mas sediada nos Países Baixos, desencadeou uma crise diplomática com a China, que retaliou com restrições à exportação de semicondutores para a Europa a partir das suas fábricas no território chinês, provocando uma escassez de fornecimento, especialmente no setor automóvel europeu. Conversações entre autoridades chinesas e neerlandesas levaram à suspensão temporária da intervenção em novembro, permitindo a retoma parcial dos envios.
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Fonte: Sapo





