Tempestades revelam fragilidades na economia portuguesa

As recentes tempestades que afetaram Portugal serviram como um verdadeiro teste ao sistema económico e institucional do país. Estas intempéries não apenas expuseram fragilidades económicas que já eram conhecidas, mas tornaram-nas ainda mais evidentes. As falhas nas infraestruturas, nas comunicações e na coordenação entre diversas entidades não se devem apenas à intensidade dos fenómenos meteorológicos, mas também a decisões que foram sendo acumuladas ao longo dos anos. Durante décadas, a prioridade foi dada à resposta imediata a emergências, em detrimento do investimento em prevenção e do planeamento a longo prazo. O resultado é uma economia que reage apenas quando o impacto já é inevitável, falhando em antecipar os riscos.

Os custos associados a estes eventos vão muito além da destruição material. À devastação física somam-se perdas de rendimento, interrupções na atividade económica e uma pressão crescente sobre serviços públicos que já se encontram fragilizados. Além disso, a incerteza que se instala tende a ser subavaliada pelos agentes económicos, uma vez que o risco climático não é devidamente sinalizado pelas políticas públicas. Esta subavaliação aumenta a vulnerabilidade global e os custos futuros.

A repetição de tais fenómenos extremos exige uma reflexão profunda sobre a nossa realidade. Estes episódios deixaram de ser excecionais e passaram a fazer parte da nossa nova normalidade climática. Não estamos a falar de cenários distantes que parecem saídos de um filme apocalíptico; estamos a viver uma nova realidade que exige uma mudança de mentalidade. A responsabilidade recai sobre todos: do Estado às autarquias, das empresas às famílias. É imperativo que se pense, planeie e invista em prevenção, pois agir apenas após o impacto é optar por pagar mais no futuro.

Neste contexto, a fragilidade da resposta política torna-se ainda mais evidente. A Lei de Bases do Clima reconhece a emergência climática e estabelece metas importantes, mas continua a ser, na sua essência, uma declaração de intenções. A falta de instrumentos operacionais vinculativos e de prazos claros cria um vazio de governação que compromete a previsibilidade regulatória. Sem essa previsibilidade, o investimento em adaptação, resiliência e transição energética será continuamente adiado.

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Após a passagem das tempestades, a questão central não se resume apenas a reconstruir. É fundamental decidir se continuamos a aceitar um modelo económico estruturalmente vulnerável ou se finalmente integramos o risco climático no cerne da política económica. Investir em prevenção, adaptação e resiliência não deve ser visto como um luxo, mas sim como uma necessidade urgente.

Leia também: O impacto das mudanças climáticas na economia portuguesa.

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Fonte: Sapo

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