Investigadores propõem alertas personalizados para desastres naturais

Num mundo cada vez mais afetado por incêndios florestais, cheias e fenómenos meteorológicos extremos, os sistemas tradicionais de alerta estão a revelar-se insuficientes. Investigadores da Universidade de Uppsala, em colaboração com a Organização Meteorológica Mundial e outras instituições internacionais, propõem uma mudança significativa na forma como os avisos são comunicados à população. A ideia central é clara: um alerta que não motiva a ação é, na prática, um alerta falhado.

Giuliano Di Baldassarre, professor de Hidrologia na Universidade de Uppsala e coautor de um estudo publicado na revista Nature Human Behaviour, defende que a próxima fase na redução do risco de desastres deve ir além da tecnologia. “O próximo grande passo deve ser psicológico e social e não apenas técnico”, afirma o investigador.

Os sistemas de alerta atuais baseiam-se em mensagens gerais dirigidas a grandes populações. Contudo, a investigação revela que a resposta de cada indivíduo depende de fatores como mobilidade, responsabilidades familiares, localização e condições de saúde. A proposta dos investigadores é evoluir a iniciativa global Early Warnings for All (EW4All) para um modelo mais personalizado, designado EW4All+U, que forneça orientações específicas a cada cidadão.

Na prática, isso poderá traduzir-se em avisos adaptados à localização exata de cada pessoa, recomendações diferenciadas para quem tem crianças ou idosos a cargo, instruções ajustadas ao grau de mobilidade e orientações em tempo real para o abrigo seguro mais próximo. “Saber que algo é perigoso não basta. As pessoas precisam de saber exatamente o que fazer, quando e como, de acordo com a sua própria situação”, explica Ilias Pechlivanidis, investigador do Instituto Sueco de Meteorologia e Hidrologia e autor principal do estudo.

Embora a tecnologia necessária já exista, como dados geográficos, telemóveis, inteligência artificial e satélites, estas soluções ainda estão em fase piloto. Existem desafios significativos, desde a integração com sistemas nacionais de alerta até à capacidade de cobertura para toda a população, passando pela adaptação a diferentes tipos de risco e pela construção de confiança pública nas mensagens recebidas.

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Os fatores psicológicos são considerados essenciais: a forma como o aviso é redigido, o grau de confiança que inspira e a clareza das instruções podem determinar se a população reage ou ignora o alerta.

Esta investigação resulta de uma colaboração internacional que inclui, além da Universidade de Uppsala e do SMHI, entidades como o Centro Europeu de Previsão Meteorológica a Médio Prazo e a Comissão Europeia. Os autores apelam a uma coordenação urgente entre cientistas, autoridades e decisores políticos para transformar os alertas personalizados numa realidade operacional.

Como sublinha Pechlivanidis, os fenómenos naturais podem ser inevitáveis, mas os desastres não. Os alertas personalizados não são uma visão futurista; são uma necessidade imediata para salvar vidas.

Leia também: A importância da tecnologia na gestão de crises.

alertas personalizados alertas personalizados alertas personalizados Nota: análise relacionada com alertas personalizados.

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Fonte: Sapo

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