Lagarde defende autonomia estratégica nas cadeias de abastecimento

Na 62.ª Conferência de Segurança de Munique, Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu (BCE), destacou a importância de a Europa desenvolver uma maior autonomia estratégica nas suas cadeias de abastecimento. Durante uma mesa redonda dedicada às dependências comerciais, Lagarde sublinhou que a autoridade monetária da zona euro deve estar preparada para um ambiente económico mais volátil.

A líder do BCE afirmou que a Europa, sendo uma das economias mais abertas do mundo, precisa agora de transitar para uma maior autonomia estratégica. “Num mundo onde as dependências das cadeias de abastecimento se tornaram vulnerabilidades de segurança, a Europa deve ser uma fonte de estabilidade, tanto para nós como para os nossos parceiros”, disse Lagarde, enfatizando que isso é parte integrante da segurança europeia.

Christine Lagarde começou a sua intervenção notando que a discussão sobre cadeias de abastecimento por parte de uma banqueira é indicativa das mudanças no panorama global. “Se há uma década alguém falasse sobre este tema, pareceria um erro, mas hoje reconhecemos que o comércio é tanto uma questão de segurança como de economia”, afirmou.

Para alcançar a autonomia estratégica, Lagarde propôs três eixos fundamentais: independência, indispensabilidade e diversificação. O primeiro eixo implica reconstruir cadeias de abastecimento internas em áreas críticas, reduzindo assim a dependência externa. O segundo eixo refere-se ao desenvolvimento de capacidades em áreas consideradas indispensáveis, enquanto o terceiro diz respeito à distribuição das cadeias de abastecimento entre diversos parceiros, para evitar que uma única interrupção possa paralisar a economia.

A interdependência económica, segundo Lagarde, aumentou significativamente nas últimas décadas, criando redes complexas de comércio que, embora antes fossem vistas como fontes de estabilidade, agora se revelam vulnerabilidades. “Perturbações globais, como a pandemia, e a utilização de dependências como arma, demonstram a fragilidade deste sistema”, alertou.

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Dados do BCE indicam que uma queda abrupta de 50% no abastecimento de fornecedores geopolíticamente distantes poderia reduzir o valor acrescentado da indústria transformadora europeia em 2 a 3%. Este impacto seria especialmente sentido nos setores de equipamentos elétricos, produtos químicos e eletrónicos.

Lagarde também advertiu que depender exclusivamente do comércio, mesmo entre aliados, pode ser arriscado, uma vez que “os parceiros de confiança nem sempre permanecem assim”. Em setores críticos, é essencial desenvolver capacidade interna, mesmo que isso implique custos temporariamente mais elevados.

A presidente do BCE reiterou que a instituição deve estar pronta para um ambiente mais volátil, onde a política industrial se torna mais assertiva e as tensões geopolíticas aumentam. “As interrupções nas cadeias de abastecimento podem tornar-se mais frequentes, e é provável que o stress nos mercados financeiros também aumente”, concluiu.

É imperativo, segundo Lagarde, evitar que esse stress leve a vendas precipitadas de títulos em euros nos mercados globais, o que poderia comprometer a eficácia da política monetária. “Devemos garantir que haja confiança na liquidez em euros, caso seja necessário”, finalizou.

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Fonte: Sapo

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