O Grupo Sana, uma das principais cadeias hoteleiras em Portugal, falhou o contrato de concessão que celebrou em 2019 com o Estado português para a transformação do Quartel da Graça, localizado em Lisboa, num hotel de cinco estrelas. Desde então, o edifício tem sido alvo de crescente degradação, com danos visíveis como murais de azulejo destruídos, pedras de calçada em falta, telhas e janelas partidas, infiltrações e grafites nas paredes. Esta situação foi reportada pelo jornal Público.
O incumprimento do contrato ocorreu no final de 2023, altura em que as obras deveriam já estar concluídas e o hotel, com 120 quartos, deveria ter iniciado a sua atividade. O investimento previsto para este projeto era de 30 milhões de euros, e a expectativa inicial era que o hotel fosse inaugurado no final de 2022. Segundo as cláusulas do contrato, o Grupo Sana tinha a obrigação de apresentar um plano de manutenção do edifício 30 dias após o início da exploração, o que não aconteceu.
A situação levanta questões sobre as intenções do Governo em relação a este incumprimento. Até ao momento, não há esclarecimentos sobre a possibilidade de aplicação de coimas ou se o Estado irá recuperar o imóvel. Além disso, não se sabe se o Grupo Sana está a cumprir a obrigação de pagamento de 1,79 milhões de euros anuais, um valor que, segundo o contrato, teria um período de carência de quatro anos. Assim, o grupo deverá ter pago, até agora, cerca de 3,5 milhões de euros.
A degradação do Quartel da Graça não só representa uma perda significativa para o património histórico de Lisboa, como também um revés para o sector do turismo, que esperava uma nova oferta de alojamento de qualidade na capital. O futuro do edifício e a responsabilidade do Grupo Sana permanecem incertos, enquanto a cidade aguarda uma solução que possa devolver o espaço à sua dignidade.
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Grupo Sana Nota: análise relacionada com Grupo Sana.
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Fonte: ECO





