Preço das casas em Portugal atrai classes médias internacionais

O aumento significativo do preço das casas em Portugal está a tornar o país uma opção atrativa para as classes médias de todo o mundo. Esta situação, segundo o economista José Manuel Félix Ribeiro, resulta da internacionalização do mercado imobiliário português, que elevou os preços a níveis que se tornam inacessíveis para muitos cidadãos locais.

Félix Ribeiro, que é professor universitário e um dos autores da coleção “Três Séculos de Economia Portuguesa”, explica que o fenómeno se deve ao que ele designa como o “complexo da terra”, que abrange a construção, o imobiliário e o turismo. De acordo com o economista, Portugal “entrou no radar” de grandes investidores internacionais que procuram terrenos para as classes médias, seja para residir ou para investir.

Com esta nova dinâmica, até o setor da construção, que tradicionalmente se focava no mercado interno, passou a direcionar-se para as classes médias globais. Esta mudança provocou uma valorização acentuada do solo português, refletindo-se diretamente no aumento do preço das casas. “A terra passou a ser valorizada pela sua internacionalização”, afirma Félix Ribeiro, sublinhando que este fenómeno altera a comparação entre os preços da habitação e os salários em Portugal.

Infelizmente, os salários em Portugal não têm acompanhado este crescimento, o que gera uma desconexão na economia. O economista alerta que a situação é complexa e que a intervenção do Estado é fundamental para mitigar o fosso entre o preço das casas e o rendimento dos trabalhadores. “É necessário que o Estado intervenha, possivelmente através da capitalização da Segurança Social, que poderia ser utilizada para apoiar a habitação”, sugere.

Os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) corroboram a análise de Félix Ribeiro, revelando que o preço mediano das casas vendidas aumentou 16,6% em termos homólogos no terceiro trimestre de 2023, atingindo 2.111 euros por metro quadrado. Este aumento acentuado dos preços das casas levanta questões sobre a sustentabilidade do mercado imobiliário em Portugal.

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Quando questionado sobre a proposta de reforma laboral do Governo, Félix Ribeiro argumenta que o verdadeiro entrave à economia portuguesa não são os salários, mas sim o sistema financeiro. Ele critica a dependência da banca comercial, que se concentra no financiamento de habitação e imobiliário, e defende a necessidade de um mercado de capitais que possa apoiar a transformação da estrutura produtiva do país.

José Manuel Félix Ribeiro, de 78 anos, tem uma vasta experiência na administração pública e atualmente é professor universitário e consultor da Fundação Calouste Gulbenkian. A sua visão sobre o preço das casas e a economia portuguesa é um alerta para a necessidade de uma abordagem mais integrada e sustentável.

Leia também: O impacto do investimento estrangeiro no mercado imobiliário português.

preço das casas Nota: análise relacionada com preço das casas.

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Fonte: Sapo

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