Após um período de aumentos rápidos nas taxas de juro entre 2022 e 2024, o mercado imobiliário português entrou numa fase de maior previsibilidade. Em 2025, a estabilização da Euribor trouxe uma redução da incerteza, mas é importante frisar que estabilizar não significa regressar aos níveis historicamente baixos da última década. Na verdade, as taxas de juro deverão permanecer estruturalmente acima da média do período pós-crise financeira.
Este novo cenário tem repercussões diretas no mercado imobiliário. Durante mais de dez anos, famílias e investidores tomaram decisões num ambiente de crédito acessível, o que influenciou os preços, as expectativas e os níveis de endividamento. Com o aumento do custo do crédito, este fator tornou-se central nas decisões de compra, mesmo sem novas subidas significativas nas taxas.
A procura já sente o impacto. Dados do Instituto Nacional de Estatística revelam que a taxa de esforço das famílias com crédito à habitação aumentou desde 2019, refletindo não só o nível das taxas de juro, mas também a maior seletividade no acesso ao financiamento. Embora o crédito continue disponível, ele é agora atribuído a perfis mais qualificados e com maior capacidade de planeamento financeiro.
Além disso, este contexto está a moldar um novo perfil de comprador. Observa-se uma maior literacia financeira, uma atenção redobrada aos cenários de taxa e uma valorização crescente de fatores como eficiência energética e previsibilidade de custos. As decisões de compra tendem a ser menos emocionais e mais fundamentadas na sustentabilidade do orçamento familiar, mesmo que isso implique ajustar as expectativas em relação à localização ou tipologia do imóvel.
Num ambiente de taxas de juro estáveis, mas estruturalmente mais elevadas, o mercado não está a entrar em colapso, mas sim a passar por um processo de ajustamento. A pressão sobre os preços mantém-se em áreas com oferta limitada, mas a capacidade de absorção depende mais da procura efetiva do que de estímulos financeiros artificiais.
A estabilização das taxas de juro deve ser vista como um sinal de maturidade do mercado. Embora não elimine desafios, cria condições para decisões mais informadas e projetos mais bem dimensionados, alinhando o setor com os fundamentos económicos. No Observatório do Imobiliário do Doutor Finanças, continuamos a monitorizar esta transição com dados e análises detalhadas, pois compreender o ciclo é essencial para tomar melhores decisões.
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Fonte: Doutor Finanças




