Flexibilidade do consumo: o papel da IA na competitividade

O sistema elétrico, historicamente gerido pela oferta, enfrenta hoje um desafio significativo. Com o aumento da procura de energia, a simples ativação de mais produção já não é suficiente. A eletrificação acelerada da economia, a integração de fontes renováveis intermitentes e a volatilidade dos mercados exigem uma nova abordagem, onde a flexibilidade do consumo se torna essencial. Este conceito refere-se à capacidade de ajustar o momento e a quantidade de energia consumida, em função das necessidades do sistema, da disponibilidade de produção renovável e das variações de preços.

A Agência Internacional de Energia (AIE) tem enfatizado a importância da flexibilidade do consumo, não apenas por razões ambientais, mas também como um fator de competitividade para as empresas. A flexibilidade permite reduzir picos de procura, aliviar a rede elétrica e otimizar os ativos existentes. A AIE estima que, através da flexibilidade do consumo, a eficiência do sistema elétrico poderia aumentar até 30%.

Num cenário de preços de energia cada vez mais dinâmicos, a flexibilidade do consumo pode ser uma ferramenta valiosa de gestão financeira. Ajustar os consumos para períodos mais favoráveis pode resultar em poupanças significativas, evitando investimentos adicionais. No entanto, o potencial da flexibilidade ainda está longe de ser totalmente explorado.

Muitos processos industriais, como refrigeração e carregamento de frotas elétricas, têm margem para flexibilidade. O desafio é implementar essa flexibilidade de forma consistente, considerando as múltiplas variáveis envolvidas, como restrições operacionais e prioridades produtivas. A decisão sobre quando ligar ou desligar cargas é complexa e rapidamente ultrapassa a capacidade de decisão humana.

Aqui, a Inteligência Artificial (IA) entra em cena. A digitalização das operações e a aprendizagem automática permitem prever perfis de consumo e produção, apoiando a tomada de decisões em ambientes complexos. A IA também disponibiliza algoritmos de otimização que resolvem problemas que seriam difíceis de abordar com métodos tradicionais. O escalonamento ótimo de cargas, respeitando restrições e minimizando custos, é um exemplo claro das vantagens que a IA pode trazer.

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A combinação da aprendizagem com a otimização em sistemas de IA permite avaliar rapidamente centenas de cenários, integrando preços, previsões de produção e perfis de consumo. Isso supera a capacidade humana de análise e decisão. Contudo, a IA não deve substituir a decisão humana, mas sim apoiar um processo mais informado e eficaz.

A flexibilidade do consumo, impulsionada pela IA, é uma ferramenta indispensável para as empresas que desejam transformar desafios em oportunidades. Num contexto energético cada vez mais complexo, a capacidade de adaptar o consumo pode traduzir-se em vantagens competitivas significativas. Leia também: O impacto da digitalização na indústria energética.

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Fonte: Sapo

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