Nos últimos meses, as ações de valor têm vindo a ganhar destaque no mercado financeiro, atraindo a atenção dos investidores. Este fenómeno surge após um longo período em que as ações de crescimento dominaram as preferências, especialmente com a valorização das empresas tecnológicas impulsionadas pela euforia em torno da Inteligência Artificial. A análise cuidadosa das empresas é fundamental para entender as dinâmicas do mercado e o potencial de cada ação.
Para selecionar as ações que compõem uma carteira de investimentos, é essencial realizar uma análise detalhada. Os investidores devem compreender o setor de atividade da empresa, a sua localização geográfica, a moeda em que opera, bem como a evolução histórica dos resultados e das cotações. Essa análise permite avaliar o risco associado e alinhar as expectativas com o potencial que a ação oferece.
Historicamente, as ações podem ser classificadas em diferentes categorias, como ações de crescimento, que apresentam um crescimento acelerado e são avaliadas a preços elevados, e ações de valor, que têm um crescimento mais moderado e estão inseridas em setores estáveis. Nos últimos tempos, as ações de valor estão a ganhar terreno, superando o desempenho das ações de crescimento.
Desde o final de 2022, as ações de crescimento tiveram um desempenho superior, mas a tendência está a mudar. A rotação de investimento das ações tecnológicas para ações de valor começou a ganhar força, especialmente a partir de outubro de 2023. Este movimento é considerado saudável para os mercados, pois permite que os índices acionistas continuem a apresentar resultados positivos, mesmo com a desaceleração das tecnológicas.
Os dados recentes mostram que o MSCI World Value Index, que acompanha as ações de valor, valorizou 10% desde o final de outubro, enquanto o MSCI World Growth Index, que inclui ações de crescimento, registou uma queda de 2,6%. Este contraste evidencia a preferência crescente pelos investidores por ações de valor, que estão a ser vistas como uma alternativa mais segura e estável.
Na Europa, a tendência é ainda mais acentuada. O MSCI Europe Value Index valorizou 46% no último ano, enquanto o MSCI Europe Growth Index subiu apenas 21%. As ações de valor europeias estão a atrair cada vez mais investidores, refletindo uma mudança nas prioridades do mercado.
Em Portugal, o PSI, que é composto maioritariamente por ações de valor, tem beneficiado desta rotação. Após uma valorização de 29,5% em 2025, o índice já acumula um ganho de 9% em 2026, superando a maioria dos índices europeus. Empresas como a Nos e a Sonae, que operam em setores sólidos, estão a apresentar resultados positivos, tornando-se cada vez mais atrativas.
Os fatores que justificam esta mudança de foco incluem a elevada valorização das ações de crescimento, que estão a negociar a múltiplos historicamente altos, e a avaliação mais contida das ações de valor. O MSCI World Value negocia a 16,2 vezes os lucros estimados, em comparação com 26,8 vezes para as ações de crescimento.
Além disso, a conjuntura macroeconómica e a política monetária estão a favorecer as ações de valor. Com a expectativa de uma recuperação económica na Europa e a manutenção de taxas de juro em níveis neutros, as ações de valor estão a ser vistas como uma opção mais segura.
Em suma, as ações de valor estão a regressar ao radar dos investidores, refletindo uma mudança nas dinâmicas do mercado. Uma carteira diversificada que inclua ambas as estratégias pode ser a melhor abordagem para capitalizar sobre esta tendência.
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Fonte: Doutor Finanças




