Recentemente, o Governo português surpreendeu muitos ao decidir não avançar com a estratégia web3, frequentemente confundida com a estratégia Blockchain. Esta decisão foi acompanhada de um aviso de que, caso a estratégia fosse implementada, seria de forma diferente. No entanto, a falta de explicações claras deixou o público sem saber o que realmente se perdeu com esta escolha.
A estratégia web3, que muitos associam a temas como criptomoedas, poderia ter um impacto significativo na economia real. A ausência de uma abordagem clara por parte do Governo levanta questões sobre a compreensão e a importância desta estratégia. Parece que a decisão foi tomada sem uma análise aprofundada do documento, que eu mesmo escrevi há cerca de dois anos. Compreendo bem as repercussões económicas que esta decisão pode ter.
A verdade é que a estratégia não está simplesmente “na gaveta”; foi desconsiderada. Contudo, as ideias não desaparecem. Nos últimos dois anos, a União Europeia tem avançado na tokenização, um processo que não pode ser ignorado. A tokenização da identidade jurídica e do dinheiro já está em marcha, com a previsão de carteiras digitais a serem implementadas até 2026. A aplicação móvel gov.pt já permite interações entre empresas e o Estado, sinalizando uma evolução importante.
Além disso, a União Europeia está a preparar-se para a introdução de microfichas de pagamento electrónico, que facilitarão transações na web3. Este desenvolvimento é crucial, pois permitirá que a economia regulada comece a beneficiar da eficiência que a web3 pode proporcionar. As primeiras transações financeiras, como a negociação de ações e obrigações, estão previstas para 2026.
Para que a economia portuguesa possa tirar partido da web3, é necessário que haja alterações legislativas e regulatórias em diversos setores. A eficiência que a tokenização pode trazer às transações, especialmente no sector imobiliário, é imensa. Imagine a liquidez que poderia ser dada a activos imóveis, permitindo garantias em tempo real sem a necessidade de contratos complicados.
O impacto da estratégia web3 é vasto e pode aumentar a confiança nas transações, tornando-as mais eficientes em todos os sectores. O atraso do Governo em adotar esta estratégia é preocupante e pode custar caro ao país. Na economia digital, a vantagem de ser o primeiro é crucial, como demonstram as Big Tech nos EUA. Se não agirmos rapidamente, corremos o risco de perder a liderança na próxima onda tecnológica.
É urgente implementar uma estratégia web3. As decisões dos últimos governos têm sido lentas e ineficazes. Se os decisores não compreendem a importância da web3, é fundamental que procurem informação e formação sobre o tema. O que não podemos aceitar é a inação que nos custará a todos.
Por isso, não posso ficar em silêncio. Este é um apelo à ação e à reflexão sobre a importância da estratégia web3 para o futuro da economia portuguesa. Precisamos de líderes que tomem decisões informadas e que estejam dispostos a abraçar a inovação.
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Fonte: Sapo





