IA chinesa pode desestabilizar avaliações em Silicon Valley

O mercado financeiro global tem estado a operar nos últimos dois anos sob a crença de que a Inteligência Artificial (IA) é um recurso escasso e caro, dominado quase exclusivamente por empresas americanas. Este cenário tem impulsionado o crescimento das chamadas “Sete Magníficas” e elevado a Nvidia a um status de referência na economia mundial. No entanto, um novo desafio está a emergir do Oriente, que pode alterar radicalmente esta narrativa.

João Lampreia, especialista da Freedom24, alerta que a entrada de modelos de IA chineses, como o DeepSeek, pode desestabilizar as atuais valorizações das grandes tecnológicas. Segundo ele, o mercado tem ignorado o impacto que estes modelos, mais eficientes e significativamente mais baratos, podem ter na lógica de investimento global. A análise sugere que a Inteligência Artificial se tornou um motor de valorizações históricas, sustentadas pela ideia de que o poder computacional é um recurso limitado e caro.

Lampreia destaca que, enquanto o modelo ocidental se baseia em aumentar a capacidade computacional através de mais GPUs e centros de dados, os modelos chineses introduzem uma nova variável: a eficiência. Esta mudança pode transformar a IA de um “bem de luxo” em um “bem de consumo”, tornando-a mais acessível e, consequentemente, alterando o panorama competitivo.

Dados da IEA e da Administração Nacional de Energia da China indicam que o custo energético na China é significativamente inferior ao dos EUA, o que permite uma rápida escalabilidade da produção. Este padrão já foi observado em outras indústrias, como o aço e os painéis solares, onde a China inundou o mercado e forçou a queda de preços.

Para os investidores que apostam em índices passivos, como o S&P 500 e o MSCI World, o maior risco pode não ser o fracasso da tecnologia, mas sim o seu sucesso excessivo. Se a IA se tornar omnipresente e acessível, a atual concentração em hardware poderá representar um risco sistémico. Lampreia antecipa que estamos a entrar numa nova fase, onde a sustentabilidade das margens e o retorno sobre o capital investido (ROIC) serão mais relevantes do que a simples escala computacional.

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Este momento pode ser comparado à era dot-com, onde se acreditava que os fabricantes de routers, como a Cisco, seriam os eternos beneficiários da internet. Hoje, a expectativa é que a Nvidia e os provedores de computação em nuvem mantenham a hegemonia. Contudo, se a arquitetura da IA exigir menos recursos e a concorrência chinesa pressionar os preços, as avaliações da Nvidia poderão ser severamente afetadas.

Lampreia prevê uma rotação significativa no mercado. Os fabricantes de hardware de topo e operadores de data centers que baseiam o seu modelo na escassez poderão ser os grandes perdedores, enquanto as empresas de IA aplicada e soluções verticais, como na medicina e finanças, poderão emergir como vencedoras. O valor, segundo o analista, migrará de quem “faz as contas” para quem entrega resultados e experiências ao utilizador.

Leia também: O impacto da IA na economia global.

Inteligência Artificial Inteligência Artificial Inteligência Artificial Nota: análise relacionada com Inteligência Artificial.

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Fonte: Sapo

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