A EMEL, a empresa responsável pela gestão do estacionamento em Lisboa, passou por uma significativa reformulação no seu sistema de incentivos. Durante três décadas, a empresa era conhecida pela sua abordagem rigorosa à fiscalização, com incentivos salariais atrelados ao número de multas aplicadas. Contudo, em 2023, este sistema foi suspenso e, a partir de janeiro de 2024, a empresa começou a focar os seus incentivos em indicadores de desempenho que priorizam a identificação de infrações graves, como o estacionamento em lugares reservados para pessoas com deficiência e em zonas de carga e descarga.
Apesar da mudança, a EMEL continua a enfrentar um elevado número de reclamações. Atualmente, existem cerca de duas mil queixas registadas no Portal da Queixa, que incluem alegações de cobranças indevidas e bloqueios ilegais. A empresa assegura que muitas dessas situações já foram resolvidas ou estão em processo de resolução.
Fundada em 1994 e liderada por Carlos Silva, a EMEL tornou-se uma entidade central na gestão do espaço público em Lisboa, abrangendo não só o estacionamento, mas também a criação de ciclovias e a manutenção de bicicletas partilhadas. No entanto, a sua expansão não foi isenta de controvérsias. O aumento dos parquímetros gerou tensões entre os moradores e a empresa, que teve de lidar com casos de vandalismo e roubo de equipamentos.
Os resultados financeiros da EMEL refletem a sua evolução. Em 2024, a empresa reportou um rendimento operacional de 54,071 milhões de euros, com um resultado líquido de 1,559 milhões de euros, um aumento em relação ao ano anterior. O estacionamento na via pública gerou 25,7 milhões de euros, distribuídos por 102.526 lugares em 21 das 24 freguesias de Lisboa. Além disso, as receitas de fiscalização cresceram 22%, em grande parte devido à nova política que permite à EMEL reter a totalidade das coimas aplicadas.
O número de dísticos de residentes também aumentou, com mais de 127 mil registados no final de 2024. O rácio de dísticos por lugar atingiu 1,27, demonstrando a crescente procura por lugares reservados. A empresa também investiu na expansão da rede de ciclovias e na modernização dos seus serviços, com um investimento total de sete milhões de euros.
No que diz respeito à operação dos parques de estacionamento, a EMEL lançou a rede de Parques Navegante, permitindo estacionamento gratuito a titulares de passes Navegante em várias zonas da cidade. A frota de bicicletas do sistema Gira também cresceu, com mais de 2.100 bicicletas e 174 estações em funcionamento.
A EMEL tem vindo a adaptar-se às necessidades da cidade, mas a sua abordagem continua a ser alvo de críticas. Para alguns, representa uma gestão eficaz do espaço público, enquanto outros a veem como excessiva na aplicação de multas. A empresa, agora com mais competências e recursos, tornou-se uma peça fundamental na vida urbana de Lisboa, impactando diretamente a rotina de quem vive e trabalha na capital.
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Fonte: Sapo





