A indústria da publicidade enfrenta um momento crítico, com a morte de várias agências criativas que outrora foram ícones do setor. Um exemplo claro é a DDB, uma escola criativa fundada em 1949, que se destacou por campanhas inovadoras como “VW, Think Small”. Hoje, a sua essência parece ter desaparecido, engolida por uma abordagem fria e mecanizada que prioriza números em detrimento da criatividade.
O que se observa é um silêncio desconcertante por parte da indústria. Não houve protestos ou manifestações significativas quando a DDB e outras agências icónicas começaram a perder a sua identidade. A JWT, a Y&R e a Leo Burnett são apenas alguns exemplos de marcas que, ao longo dos anos, foram transformadas em operações sem alma, onde a criatividade é sacrificada em nome da eficiência operacional.
As agências criativas, que deveriam ser tratadas com respeito e cuidado, estão a ser tratadas como meras unidades de negócio. A consolidação tornou-se a norma, com as marcas a serem fundidas e reestruturadas sem consideração pelo legado que representam. Esta indiferença resulta na diluição de ideias que, antes, eram a essência da publicidade.
A verdade é que a criatividade nasce do atrito e da urgência, não de processos burocráticos. As melhores ideias emergem em ambientes pequenos e ágeis, onde a liberdade criativa é valorizada. As agências independentes estão a ressurgir, provando que é possível criar sem as amarras dos gigantes. Estes novos players estão a redefinir o que significa fazer publicidade, focando-se em ideias que realmente importam.
Enquanto isso, as grandes redes continuam a reorganizar os seus organigramas, acreditando que isso é inovação. No entanto, a verdadeira inovação reside nas agências criativas que ainda acreditam no poder das ideias. A DDB pode ter perdido a sua estrutura, mas o seu espírito continua vivo, refletindo-se nas campanhas que ainda hoje se estudam.
Em Portugal, o cenário é promissor. As agências independentes estão a multiplicar-se, lutando pelas ideias e pela criatividade. O futuro da publicidade não está nas mãos dos gigantes, mas sim na coragem de quem se atreve a recomeçar e a desafiar o status quo. A pergunta que se coloca é se ainda nos interessam os gigantes da publicidade, ou se devemos olhar para as novas vozes que estão a emergir no setor.
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Fonte: ECO





