Os economistas da Coface, uma seguradora de crédito francesa que opera em 200 países, mostram-se otimistas quanto ao desempenho da economia mundial, apesar das incertezas geopolíticas. Bruno Moura Fernandes, responsável pela Investigação Macroeconómica da Coface, partilhou as suas previsões durante a conferência Risco País, em Paris. Segundo ele, Portugal não está entre as principais preocupações.
A Coface projeta que a economia mundial deverá crescer 2,6% este ano, após um crescimento de 2,8% em 2024 e 2025. A desaceleração é, em grande parte, atribuída à China, enquanto outras economias parecem estabilizar. Moura Fernandes destaca que, apesar dos riscos geopolíticos e das tensões comerciais, o impacto económico tem sido limitado até agora.
Um dos temas em discussão foi o investimento em inteligência artificial (IA) e na defesa, que muitos consideram ser motores de crescimento. No entanto, o responsável da Coface alerta para a possibilidade de uma bolha financeira, semelhante à da Internet ou ao colapso do subprime. “É difícil saber se é uma bolha ou não. Geralmente, só sabemos quando já estourou”, afirma. O investimento em IA tem sido significativo, mas ainda não se traduziu em rentabilidade, o que levanta preocupações sobre uma possível correção no futuro.
Em relação ao mercado de matérias-primas, as previsões são positivas, com boas colheitas, especialmente de cereais, que podem levar a preços mais baixos. No setor energético, a produção de petróleo e gás está a aumentar, o que poderá resultar numa descida dos preços. Contudo, a situação no Irão representa uma exceção, pois um conflito na região poderia provocar uma subida acentuada dos preços.
A análise da Coface também abrange a evolução das cadeias de abastecimento, que estão a mudar devido a investimentos em nearshoring. Os Estados Unidos, por exemplo, estão a diversificar as suas importações, reduzindo a dependência da China, embora esta continue a ser significativa.
No que diz respeito a Portugal e Espanha, os dados de crescimento são encorajadores. O país registou um crescimento de 1,9% no último ano e as previsões para 2026 apontam para 2,4%. A imigração tem sido um fator positivo, contribuindo para o aumento da população ativa e dinamizando o consumo das famílias. No entanto, a pressão sobre os serviços públicos e o mercado imobiliário também é uma preocupação.
A baixa taxa de fecundidade em Portugal, que atualmente se situa em 1,6 filhos por mulher, levanta questões sobre a sustentabilidade do sistema de segurança social. A imigração, embora traga benefícios económicos, também gera desafios que precisam de ser geridos com cuidado.
Em resumo, as perspetivas para o crescimento económico em Portugal são positivas, mas a situação global apresenta riscos que não podem ser ignorados. A evolução da IA e a dinâmica do mercado de matérias-primas serão fatores cruciais a acompanhar nos próximos anos.
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Fonte: ECO




