O investimento em startups de defesa, segurança e resiliência na Europa atingiu um novo marco em 2022, com um crescimento de 55%, totalizando 8,7 mil milhões de dólares. Este aumento significativo, conforme indicado no estudo “Defence, Security and Resilience in Europe: The state of startups and venture capital – 2026”, realizado pela Dealroom em colaboração com o NATO Innovation Fund (NIF), reflete uma tendência crescente no capital de risco direcionado para este setor. Nos últimos cinco anos, o investimento neste segmento quadruplicou, evidenciando a sua relevância crescente.
O estudo revela que a consolidação no setor está em ascensão, com um recorde de 20 operações de fusão e aquisição registadas no ano passado. Sander Verbrugge, parceiro do NIF, destaca que “a DSR continua a crescer rapidamente em toda a Europa, com um investimento substancial de capital de risco em grandes rondas”. As startups de defesa estão a demonstrar fluxos de receita sólidos e trajetórias claras para o crescimento, o que abre oportunidades para novos financiadores, incluindo bancos e empresas de private equity.
As rondas de financiamento em startups mais avançadas foram um dos principais motores deste crescimento. As empresas que desenvolvem soluções críticas para os países membros da NATO, como mobilidade e segurança tecnológica, atraíram investimentos significativos. Exemplos notáveis incluem a Quantinuum, que arrecadou 800 milhões de dólares, e a Helsing, com 600 milhões. Estas megas rondas de investimento triplicaram em relação ao ano anterior, totalizando 4,7 mil milhões de dólares, com um foco especial em inteligência artificial, que absorveu 44% do capital investido.
Embora o número total de rondas tenha permanecido estável, com 304 operações em 2022, o aumento em comparação com os 38 registos em 2015 é notável. O estudo também indica que os fundos europeus representam mais de metade do investimento, mas a participação de investidores norte-americanos tem vindo a crescer, à medida que o setor se torna mais maduro.
Vários países europeus estão a criar fundos específicos para o setor de defesa, como o National Security Strategic Investment Fund do Reino Unido, que já investiu 330 milhões de libras em startups como a ICEYE e a Tekever. Outros países, como França, Holanda e Estónia, também estão a injetar capital significativo em fundos dedicados à defesa.
O Reino Unido lidera o investimento em capital de risco neste setor, com 2,9 mil milhões de dólares, seguido pela Alemanha e França. No entanto, a cidade de Munique destaca-se como o principal centro de investimento, acumulando 1,7 mil milhões de dólares em 2022, um crescimento impressionante em comparação com anos anteriores.
As startups de defesa estão a beneficiar de contratos públicos, especialmente na indústria de drones, com empresas como a Tekever a reportar um aumento significativo nas suas receitas. A Quantum Systems, por exemplo, viu as suas receitas crescerem 173%, enquanto a ICEYE e a Tekever também registaram aumentos substanciais.
Este ecossistema de startups está a atrair a atenção de operadores de defesa tradicionais, que estão a investir cada vez mais, com um total de 969 milhões de dólares em 2022. A atividade de fusões e aquisições também está a aumentar, com 20 operações registadas no último ano, demonstrando a consolidação do setor.
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Fonte: ECO





