Fundo Nacional de Catástrofes é urgente para Portugal

A recente tempestade Kristin trouxe à tona a vulnerabilidade de Portugal face a fenómenos climáticos extremos, colocando o país como o sétimo mais desprotegido da Europa entre 30 nações avaliadas. Este cenário reforça a urgência da criação de um Fundo Nacional de Catástrofes, uma proposta defendida por José Coutinho, Chief Underwriting Officer da Zurich Insurance Group, que considera essencial para garantir uma resposta coletiva e uma maior estabilidade social e económica.

Em entrevista ao Jornal Económico, Coutinho destacou que eventos como a tempestade Kristin evidenciam a necessidade de investir em infraestruturas resilientes e na educação sobre seguros. Para a Zurich, o futuro da proteção vai além do seguro tradicional, focando-se no apoio à resiliência das comunidades e empresas. A tempestade resultou num aumento significativo de pedidos de indemnização, especialmente por danos em habitações e empresas, o que exigiu uma rápida resposta por parte da seguradora.

A pressão sobre o setor segurador levou à realocação de equipas e ao reforço da presença no terreno, priorizando as áreas mais afetadas. Os processos de avaliação de danos foram acelerados, permitindo que sinistros de menor valor seguissem procedimentos simplificados, reduzindo assim os atrasos nas compensações.

Os fenómenos meteorológicos extremos estão a tornar-se cada vez mais frequentes e intensos, o que desafia a sustentabilidade do modelo tradicional de seguros. Coutinho sublinha que a proteção do futuro exige inovação e prevenção. A Zurich já disponibiliza serviços de resiliência climática, ajudando os clientes a gerir riscos e a preparar-se para cenários climáticos adversos.

De acordo com a Autoridade Europeia dos Seguros e Pensões Complementares de Reforma (EIOPA), apenas 25% das perdas causadas por catástrofes naturais na Europa estavam seguradas na última década. Este “protection gap” revela um défice significativo de proteção, com Portugal a figurar entre os países mais desprotegidos devido à sua exposição a riscos climáticos e à baixa penetração de seguros.

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As coberturas de tempestades e inundações estão incluídas nas apólices de seguro multirriscos da Zurich, embora não sejam obrigatórias. Em situações de maior risco, a subscrição pode ser dificultada, resultando em prémios mais elevados ou, em casos extremos, na impossibilidade de assegurar o risco.

O setor segurador manifestou a sua disponibilidade para colaborar com o Estado na criação de um Fundo Nacional de Catástrofes, uma solução que se alinha com modelos já existentes em outros países europeus. Coutinho enfatiza que a experiência do setor é fundamental para desenvolver mecanismos que reforcem a capacidade de resposta coletiva.

A EIOPA está a propor uma recalibração dos requisitos de capital para riscos climáticos, o que poderá aumentar os custos para as seguradoras. Contudo, Coutinho acredita que, apesar do aumento potencial dos prémios, existem estratégias de mitigação de risco que podem equilibrar os custos.

A Zurich, com mais de 100 anos de experiência, está bem capitalizada para suportar eventos como a tempestade Kristin, assegurando uma resposta rápida e eficaz. A empresa defende uma estratégia que visa reduzir o “protection gap” através de soluções mais flexíveis, como o novo produto Zurich Lar Flex, que oferece coberturas essenciais a preços reduzidos.

Nos próximos anos, a política de aceitação de riscos deverá mudar, priorizando riscos menos expostos e mais resilientes. Apesar dos desafios, o setor segurador mantém confiança na sua capacidade de resposta, sustentada pela experiência e inovação.

A tempestade Kristin sublinha a necessidade de uma resposta coordenada e estrutural. Coutinho conclui que a vulnerabilidade de Portugal a fenómenos climáticos exige uma abordagem nacional para reforçar a prevenção e a resposta a catástrofes.

Leia também: O impacto das alterações climáticas no setor segurador.

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Fonte: Sapo

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