O ex-ministro das Finanças, Miguel Cadilhe, sublinhou a necessidade de combater o centralismo em Portugal, propondo uma maior voz para as diversas regiões do país. Durante uma apresentação no Fórum Produtividade e Inovação, realizada em Matosinhos, Cadilhe abordou a questão da dívida pública, que, apesar de ter diminuído nos últimos anos, poderá voltar a aumentar devido a calamidades recentes e à implementação de megaprojetos.
Cadilhe defendeu que a introdução da democracia regional poderia ajudar a quebrar o centralismo existente. Ele traçou um paralelo com a Dinamarca, um país que, embora menor, tem uma estrutura regional que permite um desenvolvimento mais equilibrado. Para o economista, a regionalização em Portugal poderia dar espaço a vozes críticas em relação a investimentos significativos, como o novo aeroporto de Lisboa.
Este novo aeroporto, segundo os estudos, deverá ver a sua procura multiplicada por quatro nos próximos anos, mesmo num contexto de diminuição da população. Cadilhe questionou se este grande investimento, que visa atrair o turismo de massa, é realmente a melhor forma de utilizar recursos financeiros que considera escassos. “Se a regionalização existisse, provavelmente vozes levantariam-se contra este grande investimento”, afirmou.
Além disso, o economista elogiou a recente descida do rácio da dívida pública para 90%, mas alertou que a situação poderá mudar rapidamente. “Depois das calamidades deste ano e com os megaprojetos em andamento, vamos ter mais dívida”, avisou. Cadilhe enfatizou a importância de ter cuidado com a dívida pública, afirmando que “se não tivermos atenção, a tigela entorna”.
A sua intervenção destaca a necessidade de uma abordagem mais equilibrada e regionalizada na gestão das finanças públicas, especialmente em tempos de incerteza económica. “É fundamental fortalecer a sociedade civil para que as decisões tomadas sejam mais representativas e eficazes”, concluiu.
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dívida pública dívida pública Nota: análise relacionada com dívida pública.
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Fonte: ECO





