A transição do SEO para o AEO no mercado imobiliário

Recentemente, um evento em Nova Iorque trouxe à tona uma discussão crucial sobre a visibilidade no mercado imobiliário. Durante a INMAN Connect, a conversa não se centrou em leads ou CRM, mas sim na silenciosa perda de visibilidade que muitos profissionais enfrentam.

Durante anos, os agentes imobiliários foram formados para otimizar a sua presença online, focando na importância de aparecer nas pesquisas do Google. O objetivo era claro: melhorar o posicionamento, gerar cliques e atrair tráfego para os sites. Contudo, as mudanças nos hábitos de pesquisa, impulsionadas pela tecnologia, indicam que este modelo está a tornar-se obsoleto. Hoje, os consumidores não procuram apenas links; eles buscam respostas diretas.

A transição que se observa é do SEO (Search Engine Optimization) para o AEO (Answer Engine Optimization). Esta mudança não é meramente tecnológica, mas reflete uma alteração significativa no comportamento do consumidor. Cada vez mais, as pessoas recorrem a plataformas de Inteligência Artificial, como o ChatGPT, para obter respostas rápidas e confiáveis, muitas vezes sem visitar os sites ou verificar as fontes. Como resultado, aqueles que não estão referenciados nessas plataformas correm o risco de se tornarem invisíveis.

O impacto no mercado imobiliário é inegável. Os consumidores, sejam compradores ou vendedores, estão a mudar a forma como tomam decisões. Antes de contactar um profissional, eles pesquisam preços, comparam reputações e leem opiniões. Este processo é cada vez mais mediado pela IA, o que significa que, se um agente não aparece nas respostas geradas, simplesmente não será considerado.

Além disso, a forma como os “answer engines” funcionam desafia várias suposições. Não é suficiente ter um site ou acumular avaliações positivas. A IA analisa o contexto, a linguagem e a especificidade das informações disponíveis. Por exemplo, uma avaliação genérica como “excelente profissional” já não é suficiente. O que realmente importa é a clareza e a especialização, como “especialista em mercado de luxo em Cascais”.

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Diante desta nova realidade, os profissionais do setor imobiliário devem adaptar-se. O primeiro passo é testar a sua presença nas plataformas de IA. Pergunte a uma dessas ferramentas quem são os profissionais de referência na sua área. Se não aparecer, não se ofenda; use isso como um alerta.

Em seguida, é fundamental ter clareza no posicionamento. Defina quem são os seus clientes, onde opera e em que se especializa. A ambiguidade pode ser fatal para a visibilidade.

Por último, foque na criação de conteúdo que responda a perguntas reais, em vez de conteúdos promocionais. Um blogue com respostas detalhadas, uma secção de perguntas frequentes bem estruturada e vídeos explicativos são exemplos de “migalhas digitais” que a IA utiliza para reconhecer a sua autoridade.

A consistência é igualmente importante. Uma estratégia simples e regular de publicação pode ser mais eficaz do que grandes explosões de conteúdo esporádicas. Uma resposta clara, uma prova social e um vídeo curto, repetidos com disciplina, podem fazer toda a diferença.

Neste novo cenário, a visibilidade digital não é conquistada pela quantidade de gritos, mas pela qualidade das respostas. No sector imobiliário, quem não se adapta e não responde às necessidades do consumidor corre o risco de desaparecer.

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Fonte: Doutor Finanças

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