Comprar casa é uma decisão que envolve não apenas emoção, mas também um compromisso financeiro que pode durar décadas. Embora a visita ao imóvel possa parecer breve, a realidade é que o crédito pode estender-se por 30 anos ou mais. É precisamente nesta diferença de tempo que se escondem os erros mais dispendiosos.
Muitas das más decisões na compra de casa não resultam do que se vê, mas do que não se confirma. Ruídos que surgem após as 22h, infiltrações ocultas por uma pintura nova ou atas de condomínio que mencionam obras futuras são apenas alguns exemplos. Além disso, a discrepância entre a planta aprovada e a realidade do imóvel pode levar a surpresas desagradáveis.
Ao decidir comprar casa, a atenção tende a focar-se no que é visível: luz natural, dimensões dos espaços e estado do chão. Contudo, o que realmente afeta o conforto e o custo a longo prazo raramente está nos anúncios. Para evitar custos inesperados, é necessário um método de avaliação e a formulação de perguntas certas.
Antes de visitar um imóvel, é fundamental preparar-se como se estivesse a preparar um crédito. Sem um limite financeiro claro e uma estratégia de avaliação, a visita pode tornar-se uma experiência emocional, onde detalhes cruciais passam despercebidos.
O preço anunciado é apenas o início do processo. A compra de uma casa envolve encargos imediatos e custos permanentes que devem ser considerados antes de marcar visitas. Organizar um mapa de custos por áreas pode ajudar a reduzir riscos.
Em Portugal, os bancos costumam financiar até 90% do valor de avaliação ou do valor de aquisição, o que significa que o comprador deve garantir pelo menos 10% do valor com capitais próprios. Contudo, essa percentagem pode ser inferior, dependendo do perfil financeiro do cliente e da avaliação do imóvel. É importante lembrar que os bancos não financiam impostos nem despesas de escritura, o que requer liquidez adicional.
Os impostos, como o IMT e o Imposto do Selo, variam consoante o valor de aquisição e o destino do imóvel. O cálculo não é linear e deve ser feito antes de avançar. Além disso, as comissões e despesas bancárias, que podem incluir a avaliação do imóvel e a formalização do processo, também devem ser previstas.
Os seguros obrigatórios, como o seguro de vida e o seguro multirriscos, são custos permanentes que devem ser considerados na prestação real do crédito. Ao comprar casa, é essencial somar todos estes encargos e despesas mensais.
Mesmo um imóvel que parece pronto pode exigir investimentos iniciais, como pintura ou reparações. Esta margem não deve ser vista como pessimista, mas sim como uma abordagem realista para evitar pressões financeiras logo após a escritura.
A taxa de esforço, que representa a percentagem do rendimento mensal comprometida com créditos, é um indicador crucial para avaliar a sustentabilidade da compra. Uma taxa de esforço até 30% é considerada equilibrada, enquanto taxas superiores a 40% aumentam o risco de stress financeiro.
Simular antes de visitar um imóvel é uma forma eficaz de proteger a decisão. Perguntas como quanto se pagará por mês em diferentes cenários de taxa variável e quanto dinheiro será necessário no dia da compra são fundamentais. A simulação ajuda a definir limites e a evitar compromissos financeiros excessivos.
Uma segunda visita ao imóvel é igualmente importante. Testar horários diferentes permite observar padrões que podem não ser evidentes numa única visita. Verificar o ruído, a iluminação e a dinâmica do prédio pode revelar informações cruciais sobre a vivência no local.
Por fim, utilizar uma checklist de comparação durante as visitas ajuda a manter a objetividade e a evitar decisões impulsivas. Registar observações por escrito é fundamental, pois uma decisão de grande valor não deve depender apenas da memória.
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Fonte: Doutor Finanças





