Gronelândia impõe restrições a investimentos estrangeiros

A Gronelândia, território autónomo da Dinamarca, está a implementar novas restrições aos investimentos estrangeiros, especialmente no setor imobiliário, em resposta ao crescente interesse dos Estados Unidos. Desde o início do ano passado, a capital, Nuuk, tem atraído a atenção de investidores norte-americanos, o que levou os políticos locais a repensar a sua abordagem em relação ao capital externo.

Em janeiro de 2025, com Donald Trump a intensificar os seus esforços para controlar a ilha do Ártico, as empresas imobiliárias de Nuuk começaram a receber um número elevado de consultas de compradores dos EUA. Até então, o investimento estrangeiro na cidade, que conta com cerca de 20 mil habitantes, era escasso. Um advogado local comentou que “os mais agressivos queriam comprar tudo o que estivesse disponível no mercado”.

Este súbito interesse imobiliário levantou preocupações entre os responsáveis políticos, que temem que os investidores externos possam pressionar o já limitado mercado habitacional, expulsando os residentes locais. Em resposta, o governo da Gronelândia decidiu reforçar os controles sobre as aquisições de propriedades por estrangeiros, revendo as avaliações para entender a origem e os motivos por trás deste novo fluxo de investimentos estrangeiros.

Um projeto de lei sobre a triagem de investimentos estrangeiros, que estava em discussão há algum tempo, foi formalmente apresentado ao parlamento em outubro. Inicialmente, a proposta visava proteger a Gronelândia de investimentos indesejados, especialmente da China. Contudo, com o aumento do interesse norte-americano, o foco da legislação mudou. Os políticos perceberam que o verdadeiro desafio poderia vir do lado oposto.

A Gronelândia tem tentado diversificar a sua economia, especialmente através da atração de investimentos para o setor de mineração. No entanto, a falta de infraestruturas adequadas, como estradas que conectem as 72 cidades da região, as condições climáticas adversas e a escassez de mão de obra têm dificultado a captação de capital significativo. Apesar dos esforços da Dinamarca, que destinou recursos para melhorar as infraestruturas, e da União Europeia, que propôs aumentar o financiamento, a economia da Gronelândia continua estagnada, com um crescimento projetado de apenas 0,2% para 2025 e um défice nas finanças públicas.

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O projeto de lei de triagem, que foi debatido pela primeira vez em novembro, está agendado para nova discussão em abril e deverá ser aprovado nesse mês. A proposta exige que os investidores estrangeiros revelem a origem dos seus fundos e permite que as autoridades rejeitem transações que levantem preocupações sobre as intenções políticas dos investidores. Com estas novas medidas, a Gronelândia espera proteger a sua soberania e garantir que os investimentos estrangeiros não comprometam a segurança do território.

Leia também: O impacto dos investimentos estrangeiros na economia da Gronelândia.

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Fonte: Sapo

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