OCDE alerta para a proteção da independência do CFP em Portugal

Scherie Nicol, responsável pelas Instituições Orçamentais Independentes da OCDE, destacou a importância da independência do Conselho das Finanças Públicas (CFP) em Portugal. Em entrevista ao ECO, Nicol sublinhou que o CFP é uma das cinco instituições com melhor pontuação a nível internacional, devido ao seu elevado nível de independência, à qualidade do seu trabalho e à eficácia da sua comunicação.

Durante uma conferência em Lisboa sobre transparência orçamental, Nicol alertou para os riscos que podem ameaçar a independência do CFP, especialmente com a iminente mudança de liderança. “É crucial que existam procedimentos robustos que protejam o processo de nomeação de novos dirigentes de influências políticas”, afirmou. A independência do CFP é fundamental para assegurar a sustentabilidade das finanças públicas em Portugal.

A evolução das instituições orçamentais independentes surgiu como resposta à crise financeira global, que impulsionou a criação de mecanismos que garantem a supervisão orçamental. Nicol explicou que a OCDE utiliza o Fiscal Advocacy Index (FAI) para avaliar a eficácia destas instituições, considerando critérios como a independência, a qualidade do trabalho realizado e a capacidade de comunicação.

Embora o CFP tenha uma classificação elevada, Nicol apontou que a sua comunicação ainda pode ser melhorada. “Algumas instituições fazem um excelente trabalho, mas não o comunicam de forma eficaz, o que limita o seu impacto”, disse. Para garantir a eficácia da independência do CFP, é necessário aumentar a cobertura mediática e a visibilidade do seu trabalho.

A economista também referiu que a independência do CFP é especialmente importante num país como Portugal, que enfrenta elevados níveis de dívida pública. “As instituições orçamentais independentes ajudam a criar uma compreensão sobre a necessidade de restaurar as finanças públicas e a implementar reformas orçamentais necessárias”, sublinhou.

Nicol destacou que a credibilidade da dívida soberana pode estar ligada à força das instituições orçamentais independentes, embora a relação não seja sempre direta. Ela observou que países que enfrentaram crises financeiras no passado tendem a ter instituições mais robustas, que ajudam a promover a transparência e a rigor nas previsões orçamentais.

Leia também  Gestão de risco e IA em alta na governação das empresas

Para fortalecer ainda mais a independência do CFP, Nicol recomendou que as instituições se esforcem para comunicar melhor o seu trabalho ao público em geral. “É essencial que o trabalho destas instituições seja lido e compreendido fora dos círculos especializados”, concluiu.

Leia também: O papel das instituições orçamentais na sustentabilidade financeira.

Leia também: Eventos económicos essenciais para esta quinta-feira em Portugal

Fonte: ECO

Simular quanto pode poupar nos seus seguros!

Não percas as principais notícias e dicas de Poupança

Não enviamos spam! Leia a nossa política de privacidade para mais informações.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Back To Top