A guerra na Ucrânia: a falência dos planos de Putin

Quatro anos após a invasão da Ucrânia, a Rússia ainda está longe de alcançar a vitória estratégica que prometeu. O objetivo inicial do Kremlin era claro: derrubar o governo de Kiev, afastar Volodymyr Zelensky e estabelecer um regime alinhado com Moscovo. No entanto, esses planos falharam. O segundo passo, que visava a criação da chamada “Nova Rússia”, ligando Kharkiv a Odessa, nunca se concretizou. O controle total do Donbass, por sua vez, continua incompleto.

Em 2025, os avanços russos representam apenas cerca de 0,8% do território ucraniano. O preço pago por essa guerra é brutal, com estimativas que apontam para 1,2 milhões de baixas, incluindo cerca de 300 mil mortos. Este é o maior custo militar que a Rússia enfrentou desde a Segunda Guerra Mundial. Para ganhos territoriais tão marginais, o Kremlin sacrificou uma geração inteira.

O paradoxo estratégico é evidente. A guerra foi iniciada com o intuito de travar a expansão da NATO, mas o resultado foi exatamente o oposto. A Finlândia e a Suécia aderiram à Aliança, duplicando a fronteira direta entre a NATO e a Rússia. Além disso, a Ucrânia e a Moldávia tornaram-se candidatas à União Europeia, mantendo viva a ambição euro-atlântica. Moscovo, assim, produziu o cenário que dizia querer evitar.

A dimensão económica da guerra na Ucrânia também agrava a situação. A Rússia transformou-se numa economia de guerra, com a despesa militar a consumir uma parte crescente do orçamento. Enquanto isso, setores civis enfrentam escassez de tecnologia, investimento e mão de obra. Embora as sanções não tenham provocado um colapso imediato, elas comprimem o crescimento e a inovação. O apoio de países como a China, o Irão e a Coreia do Norte ajuda a atenuar o impacto, mas aprofunda a dependência estratégica de Moscovo em relação a parceiros que não são aliados, mas sim oportunistas.

É importante notar que, segundo o Institute for Science and International Security, a percentagem de alvos russos que atingem território ucraniano aumentou de 60% para 80% entre janeiro do ano passado e dezembro de 2025. A eficácia russa, portanto, aumentou, colocando a defesa aérea ucraniana sob pressão. Numa guerra de desgaste, o fator tempo favorece quem consegue suportar perdas prolongadas e mobilizar recursos industriais de forma sistemática.

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Apesar de ter falhado nos seus objetivos políticos centrais, como derrubar Kiev e redesenhar a Ucrânia, a Rússia não colapsou. O conflito transformou-se num impasse prolongado que corrói lentamente a estabilidade europeia. Moscovo perdeu a guerra rápida que imaginou e agora aposta numa guerra longa. É nesse desgaste contínuo que reside o verdadeiro risco para a Europa.

Leia também: A resposta da NATO à guerra na Ucrânia e suas implicações.

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Fonte: Sapo

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