O Crédito Agrícola (CA) tem vindo a implementar uma estratégia de sustentabilidade que vai além do discurso, integrando práticas ESG (ambientais, sociais e de governance) no seu modelo de negócio. Filipa Saldanha, Diretora de Sustentabilidade do banco, destaca a importância da coordenação entre diferentes equipas para a avaliação e aprovação de pedidos de financiamento, um processo que se tem intensificado nos últimos anos.
Atualmente, a prioridade do CA é a recolha de informação ESG dos seus clientes, abrangendo aspectos como a pegada de carbono e a exposição a riscos climáticos. Embora esta informação ainda não esteja completamente integrada nos modelos de risco, já é utilizada para avaliar a maturidade dos clientes na sua jornada de sustentabilidade. O CA procura, assim, identificar prioridades de negócio que apoiem a transição climática e social, estabelecendo linhas vermelhas que orientam as suas decisões de financiamento.
No que diz respeito às grandes empresas, o CA aplica um escrutínio rigoroso, utilizando métricas objetivas para operações de financiamento verde. As Sustainability-Linked Loans, por exemplo, estão ligadas a metas ESG específicas que devem ser mensuráveis e auditáveis. Este enfoque garante que os financiamentos não apenas apoiam a sustentabilidade, mas também estão alinhados com compromissos internacionais, como o Acordo de Paris.
O setor agrícola, um dos principais focos do CA, enfrenta desafios significativos devido às alterações climáticas. O banco disponibiliza linhas de crédito que incentivam práticas mais sustentáveis, como a eficiência hídrica e energética, e apoia investimentos em tecnologias que promovem a resiliência face a fenómenos climáticos extremos. O CA acredita que a adaptação às mudanças climáticas é um imperativo económico, e, por isso, reforça o apoio a práticas agrícolas que promovem a saúde do solo e a biodiversidade.
Além do financiamento, o CA investe em capacitação e formação para agricultores, promovendo programas que aproximam o conhecimento da realidade do terreno. A inclusão financeira é também um pilar central da sua estratégia, especialmente em regiões onde é a única instituição financeira com presença física. O banco adota um modelo híbrido, combinando canais digitais com um acompanhamento personalizado, garantindo que nenhuma comunidade fica para trás.
Para cumprir as novas exigências de transparência e evitar o greenwashing, o CA tem vindo a adaptar os seus sistemas de gestão de risco. A integração de riscos climáticos nos modelos de risco é uma prioridade, permitindo uma avaliação mais precisa da exposição e vulnerabilidade dos clientes. O banco está a trabalhar para garantir que todos os compromissos de sustentabilidade são suportados por dados robustos e auditáveis.
No que toca à sua própria operação, o CA estabeleceu metas ambiciosas para reduzir a sua pegada ecológica, integrando a sustentabilidade nos órgãos de decisão e promovendo ações de sensibilização entre os colaboradores. Com um compromisso de reduzir as emissões em 60% até 2030, o banco está a implementar mais de 60 iniciativas que vão desde a promoção de práticas de economia circular até à utilização de energia renovável.
O Crédito Agrícola está, assim, a dar passos significativos na sua jornada de sustentabilidade, alinhando as suas operações com os objetivos globais de desenvolvimento sustentável. Leia também: O papel das instituições financeiras na luta contra as alterações climáticas.
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Fonte: Sapo





