Um novo estudo do Center for News, Technology & Innovation (CNTI) revela que o jornalismo é mencionado em apenas 10,6% das políticas e estratégias globais sobre inteligência artificial (IA). A análise, que abrange 188 documentos de mais de 99 países entre janeiro de 2022 e junho de 2025, mostra que apenas 20 desses documentos referem explicitamente termos como “jornalista”, “jornalismo” ou “notícias”.
Os investigadores destacam que, quando o jornalismo é mencionado, as referências são frequentemente superficiais, variando desde menções breves até legislações que se preocupam com a prática do jornalismo. Essa escassez de atenção pode ter consequências sérias, uma vez que as definições de “jornalismo” e “notícias” podem ser utilizadas de forma a restringir a liberdade de expressão. É essencial que os decisores políticos considerem cuidadosamente os impactos de nomear ou não o jornalismo nas suas políticas.
O estudo também identifica quatro documentos de países como Bahrain, Chile, Costa Rica e Quénia que reconhecem os jornalistas como partes interessadas, embora sem aprofundar a sua importância. Além disso, três documentos da União Africana, Panamá e Sérvia destacam o jornalismo como um público relevante para a educação e requalificação profissional.
Uma proposta de lei do Equador sugere que os fornecedores de algoritmos de recomendação de conteúdos incluam uma diversidade de órgãos de comunicação social. Outras legislações, como a do Brasil, isentam o jornalismo de certas disposições legais, permitindo uma maior liberdade na produção de conteúdos.
Nos Estados Unidos, dois projetos de lei em Nova Jérsia e Nova Iorque visam regular o uso da IA no jornalismo, o que demonstra uma crescente preocupação com a intersecção entre tecnologia e informação. O CNTI analisou ainda sete áreas que impactam diretamente o jornalismo, como a transparência e a proteção de dados, onde a maioria dos documentos se concentra.
A análise revela que a “Liberdade de Expressão e Informação” é mencionada em apenas 10,1% dos documentos, um número ligeiramente inferior ao do jornalismo. O CNTI conclui que a inclusão ou exclusão de tópicos como a liberdade de expressão não determina a qualidade das propostas, mas ressalta a importância do jornalismo para o funcionamento das sociedades.
Na Europa, o estudo foca na Lei da IA da União Europeia, que não menciona explicitamente o direito à informação fiável ou ao jornalismo de qualidade. Essa omissão pode deixar os direitos fundamentais vulneráveis, especialmente em um contexto onde a democracia e o acesso à informação estão interligados.
Por fim, o CNTI sublinha que a legislação europeia, ao adotar uma abordagem baseada nos direitos humanos, poderá influenciar empresas além das suas fronteiras, impactando diretamente o trabalho dos jornalistas. A análise foi realizada em várias línguas, incluindo o português, e apoiada por fontes secundárias para garantir a precisão dos dados.
Leia também: O impacto da IA na liberdade de expressão e no jornalismo.
jornalismo e inteligência artificial jornalismo e inteligência artificial jornalismo e inteligência artificial jornalismo e inteligência artificial jornalismo e inteligência artificial Nota: análise relacionada com jornalismo e inteligência artificial.
Leia também: Sines acolhe Encontro Fora da Caixa sobre investimento
Fonte: ECO





