Paula Gomes, de 45 anos, é um exemplo da nova realidade no setor da construção civil. Antes de iniciar o seu turno na fábrica da Blufab, em Braga, veste luvas, ajusta o avental e calça os sapatos de biqueira de aço. À sua frente, um módulo de casa de banho ainda por completar aguarda para ser enviado a um hotel ou a um edifício de habitação. Durante a visita do Jornal Económico, Paula estava a colar cerâmica numa linha de produção, onde a precisão é fundamental. “No final do dia, tudo tem de estar certo”, afirma, enquanto mede e ajusta cada azulejo.
Os dados do Instituto Nacional de Estatística revelam que, em 2025, o setor da construção civil contava com 372.600 trabalhadores, dos quais 33.400 eram mulheres. Em comparação com 2024, este número aumentou em 1.100, e desde 2020, quando apenas 21 mil mulheres trabalhavam na área, a evolução é notável. Ao lado de Paula, Teresa Gomes, de 38 anos, destaca o ambiente de crescimento e desenvolvimento profissional que a Blufab oferece. “Aqui, há espaço para crescer na carreira”, diz.
Criada em 2019, a Blufab pertence ao Grupo Casais e tem como missão impulsionar a industrialização e digitalização no setor da construção. A empresa foca em soluções inovadoras e sustentáveis, como a produção de módulos de casas de banho e cozinhas que são fabricados fora do local e instalados facilmente. Pedro Lopes, diretor de Industrialização da Blufab, explica que a transformação do setor está a torná-lo mais atrativo para as mulheres, ao oferecer ambientes de trabalho mais estáveis e horários previsíveis. “A industrialização está a criar condições para que essa mudança seja estrutural e duradoura”, acrescenta.
O aumento da presença feminina na Blufab é evidente. Em 2023, apenas 17% dos colaboradores eram mulheres; hoje, esse número subiu para 32%. Sofia Miranda, diretora de Recursos Humanos do Grupo Casais, afirma que a empresa tem atraído e mantido mais mulheres, refletindo uma mudança significativa no setor.
Inês Graça, arquiteta de 32 anos, representa uma nova geração de mulheres na construção. Com um doutoramento pela Universidade do Minho, Inês ingressou no departamento comercial da Blufab, onde se dedica ao desenvolvimento de negócios. Para ela, a crescente presença feminina é uma evolução natural que acompanha a transformação do setor. “O olhar mais industrializado e organizado atrai perfis diferentes”, afirma.
Ana Carvalho, de 53 anos, também é um exemplo de mudança. Filha de emigrantes, começou a trabalhar na Blufab em 2022 e tornou-se a primeira mulher na área de produção. “Adoro o trabalho manual e entrei com o objetivo de crescer dentro da empresa”, conta. A sua trajetória inclui a gestão do armazém e funções administrativas, sempre com a vontade de aprender e evoluir.
Sílvia Carneiro, engenheira mecânica, é outra profissional que desafia estereótipos. Ela integra uma área tradicionalmente masculina, mas acredita que as mulheres estão a ganhar espaço. “Já não é uma profissão só de homens”, diz. Além da engenharia, Sílvia é pianista e desenvolveu um método inovador para ensinar piano a crianças, mostrando que a criatividade e a técnica podem coexistir.
A transformação do setor da construção civil é visível e promissora, com cada vez mais mulheres a trocarem os saltos altos por biqueiras de aço. Este movimento não só enriquece o ambiente de trabalho, mas também redefine o futuro da construção em Portugal.
Leia também: O impacto da digitalização na indústria da construção.
mulheres na construção mulheres na construção mulheres na construção mulheres na construção Nota: análise relacionada com mulheres na construção.
Leia também: Sustentabilidade humana: o bem-estar no trabalho em Portugal
Fonte: Sapo





